A semana

Na Rússia, os primeiros sinais de uma “primavera política”

Crédito: VASILY MAXIMOV

LIBERDADE O jornalista Ivan Golunov preso (no detalhe) e deixando a carceragem: susto no Kremlin. (Crédito: VASILY MAXIMOV)

VASILY MAXIMOV

I van Golunov é um jornalista russo que trabalha como repórter na agência Meduza. É conhecido em toda a Rússia e em diversos países vizinhos por ser um crítico implacável do governo de Vladimir Putin. Na semana passada ele foi preso em Moscou sob a acusação de tráfico de drogas. Em um ato de protesto que as autoridades jamais poderiam imaginar, três grandes jornais russos combinaram e foram às bancas com a mesma manchete: “Eu/Nós Somos Ivan Golunov”. As publicações exigiam uma investigação imparcial e explicavam não acreditarem na versão oficial. Temendo a surpreendente e inédita reação da mídia, o governo mandou libertá-lo. São assinalados assim, pelo menos por parte da imprensa, os primeiros movimentos de que uma “primavera política” pode estar se iniciando contra a gestão autoritária e corrupta de Putin. A polícia afirma ter encontrado vasta quantidade de drogas na casa de Golunov. Ele nega o fato e denunciou ter sido torturado. Diante da repercussão do caso e com temor de uma reação em massa dos jornalistas do país, o sempre tão calado porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, se manifestou. “Erros jamais podem ser descartados”, declarou ele. Os jornais que tomaram à frente naquela que pode ser a detonadora de uma série de avaliações críticas contra a arbitrariedade de Putin são: “RBK”, “Vedomosti” e “Kommersant”. A Rússia está na péssima 148ª colocação no ranking de liberdade de expressão da ONG Repórteres Sem Fronteiras.

Três jornais
de Moscou conseguiram libertar o jornalista indo às bancas com manchetes indênticas:
“Eu/Nós Somos Ivan Golunov”.

JUSTIÇA
Oito são indiciados por homicídio no incêndio do Ninho do Urubu

Tânia Rêgo/Agência Brasil
Divulgação

O ex-presidente do Flamengo Eduardo Bandeira de Melo (no detalhe), junto com outras sete pessoas, foi indiciado por homicídio com dolo eventual — quando se assume o risco de matar, mesmo que de forma não intencional — no caso do incêndio no Ninho do Urubu, em fevereiro desse ano. O incidente culminou com a morte de dez jovens atletas do clube, que estavam dormindo quando o fogo começou. Caso condenados, os indiciados podem pegar de 12 a 30 anos de prisão. Trata-se de episódio raro no Brasil: supostos responsáveis por uma tragédia representando uma instituição gigantesca, como o Flamengo, serem acusados de forma severa. Apesar disso, os trâmites legais devem ser longos, pois o Ministério Público precisa decidir se oferece ou não a denúncia, e o processo deve se arrastar por muitos anos.

DIPLOMACIA
A breve vida do carvalho da amizade

Divulgação

Uma fonte diplomática revelou que a árvore que Emmanuel Macron levou para Donald Trump como sinal de amizade em abril de 2018 — um carvalho de uma floresta francesa que foi campo de batalha para os soldados americanos na Primeira Guerra Mundial — morreu no período de quarentena após ser plantada pelos presidentes no jardim da Casa Branca. Para provar que a amizade entre os países “vale a pena”, Macron anunciou que enviará outra árvore aos EUA. Coitada dela


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CIÊNCIA
Pfizer desistiu de pesquisas promissoras sobre o Alzheimer

O jornal americano “Washington Post” obteve documentos internos da gigante farmacêutica Pfizer que indicam a descontinuação de uma pesquisa que poderia elucidar a doença do mal de Alzheimer. A descoberta foi em 2015, durante testes com o remédio para artrite Enbrel. Neles, foi constatado redução de 64% do risco para o Alzheimer. A pesquisa exigiria investimento de US$ 80 milhões para ser retomada, mas a empresa afirmou não ter “base científica” e desistiu.

US$ 80 milhões
quanto custaria para continuar a pesquisa em laboratório

US$ 3,8 bilhões
Lucro líquido da Pfizerno primeiro trimestre de 2019

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