Edição nº2598 11/10 Ver edições anteriores

Na ponta do lápis

Precisamos falar de dinheiro.

Você não sabe, ou talvez só se faça de desentendido, mas está devendo uma grana preta.

Não só você. Eu também. E aquela sua vizinha. Seu cunhado chato. O primo do marido da moça do café, lá da firma. A própria moça do café e seu chefe também. Estamos todos devendo até os fundilhos das nossas calças.

E não estou me referindo a esse monte de carnês que você paga com o suor de seu trabalho diário.
Isso é molezinha.

Molezinha se você estiver empregado.

Porque se você é um dos 12.200.000 sem emprego (dados do IBGE em fevereiro de 2019), aí complica mais ainda. É bem possível que além dos carnês e dos boletos nossos de cada dia, você ainda esteja colaborando para gerar os
R$ 59.695.000.000 (dados do Valor Econômico em fevereiro de 2019) que os três maiores bancos do País lucraram em 2018.

O fato é que, com ou sem juros, com ou sem emprego, com ou sem carnês e boletos, você, eu e os outros 208.500.000 de brasileiros (dados do IBGE em agosto de 2018) temos uma dívida de R$ 7.525.895.414.546 (agora, dados do Dividômetro Auditoria Cidadã).

Vou soletrar, para você: sete trilhões, quinhentos e vinte e cinco bilhões, oitocentos e noventa e cinco milhões, quatrocentos e quatorze mil, quinhentos e quarenta e seis reais.

Desprezando propositalmente os centavos.

Esses eu garanto.

– Mas de onde saiu esse número? — você deve estar se perguntando atônito.

Essa é a soma de nossa dívida interna de R$ 5.523.121.023.828 com os R$ 2.002.774.390.718 da nossa dívida externa em dólares convertidos para reais.

Isso, claro, na segunda-feira 25, quando escrevo essa coluna.

Se você estiver lendo no sábado 30, some mais R$ 14.500.000.000, referentes aos R$ 2.900.000.000 (R$ 2,9 bi) que essa dívida cresce diariamente.

A essa altura você, que é bom pagador, deve estar se perguntando o que deve fazer para se livrar desse abacaxi.
Fiz a conta.

Com R$ 36.095 você paga a sua parte e tira esse peso dos ombros.

É uma pechincha.

Pelo preço de um carro usado você não precisará mais se preocupar com isso.

Poderá, por exemplo, ignorar a reforma da Previdência, já que sua parte está paga.

Por falar nisso, enfiados aí estão os R$ 491.000.000.000 (R$ 491 bi) referentes à dívida previdenciária.

Aí você dirá, apesar de ser megadevedor:

– Oba! Então quando pagarem esses R$ 491.000.000.000, minha dívida de R$ 7.525.895.414.546 diminuirá para
R$ 7.034.895.414.546, certo?

Errado.

O governo já disse que desses R$ 491.000.000.000, infelizes R$ 331.000.000.000 são irrecuperáveis.

Perdeu. Finito. Nil. Caput.

Ou seja, na improbabilidade dos devedores da Previdência pagarem alguma coisa, serão, no máximo R$ 160.000.000.000 (R$ 160 bi).

Com uma boa dose de esperança, esse dinheiro subtraído de sua dívida de 7.525.895.414.546 resultará em R$ 7.365.895.414.546, o que representa uma economia pífia de apenas R$ 767 para o seu bolso, que agora deve R$ 35.328.

O governo garante que, com a reforma da Previdência, vamos economizar R$ 1.160.000.000.000 (R$ 1,1 bi) em dez anos.

Mas você não vai querer esperar tudo isso, afinal, com a dívida crescendo nesse ritmo, daqui dez anos você vai estar devendo… Vejamos: R$ 2.900.000.000 ao dia x 365 x 10 = R$ 10.585.000.000.000 – R$ 1.160.000.000.000 = R$ 9.690.000.000.000.

Somados à dívida atual, dá R$ 16.724.895.414.546 (R$ 16 tri), o que faria sua parcela saltar para R$ 80.408.

Péssimo negócio.

Então, conterrâneo, você e eu só temos duas opções:

Ou pagamos logo nossos R$ 35.328 ou pressionamos nossos políticos a aprovar essa reforma.

Hoje. Porque amanhã, já são mais R$ 2.900.000.000.

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Mentor Neto

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