Na ONU, Zelensky acusa Rússia de recusar cessar-fogo

ROMA, 24 SET (ANSA) – O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, realizou nesta quarta-feira (24) seu discurso na Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU) e acusou a Rússia de recusar um cessar-fogo na guerra que já dura mais de três anos.   

Segundo ele, os ucranianos são “pessoas pacíficas” mesmo durante derramamento de sangue. “Não há cessar-fogo porque a Rússia se recusa”, declarou, acrescentando que as tropas de Vladimir Putin sequestram “milhares de crianças” de seu país e apelando pela volta delas.   

Em seu pronunciamento, o líder ucraniano destacou que os membros da ONU querem segurança e paz tanto quanto seus cidadãos e afirmou que “não há garantias de segurança sem amigos e armas: “Se uma nação quer paz, ela ainda precisa trabalhar em armas. As armas decidem quem sobrevive”.   

Além disso, afirmou que Moscou não parou de bombardear seu território, mesmo em áreas próximas a instalações nucleares, e criticou as instituições internacionais pela fraqueza porque “essa loucura continua”.   

Fazendo referência aos ataques da Rússia aos espaços aéreos da Polônia e Estônia, o presidente da Ucrânia observou que mesmo que fizer “parte de uma aliança militar de longa data [como a Otan] não significa automaticamente que está seguro”.   

Ele lembrou que recentemente 19 drones russos simples entraram no espaço aéreo polonês e apenas quatro deles foram abatidos, além de afirmar que a Estônia teve que convocar sua primeira reunião do Conselho de Segurança da ONU devido aos ataques de Moscou.   

Segundo Zelensky, a Moldávia também é vulnerável à influência russa e que a resposta global não é suficiente. “A Europa não pode se dar ao luxo de perder a Moldávia para a influência russa. A Europa deve apoiar a estabilidade do país, caso contrário, o preço será muito mais alto”, reforçou.   

Durante o discurso, o político mencionou estrategicamente o assassinato do influenciador conservador Charlie Kirk, aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e que foi baleado no dia 10 de setembro em um evento em Utah, e lamentou a morte de Iryna Zarutska, uma ucraniana que foi recentemente esfaqueada até a morte nos Estados Unidos.   

“Quase todos os dias, quando abrimos o noticiário, vemos manchetes sobre ataques violentos. A maioria envolve armas às quais estamos acostumados, mas as armas também estão evoluindo mais rápido do que nossa capacidade de nos defender”, alertou.   

Zelensky sugeriu que “dezenas de milhares de pessoas agora sabem como usar drones para matar como resultado da guerra da Rússia.   

“O que acontece se os drones se tornarem mais amplamente disponíveis?, questionou, referindo-se às recentes incursões nos espaços aéreos nacionais.   

“O mundo se move muito lentamente para se proteger. É apenas uma questão de tempo até que os drones lutem contra drones…   

sozinhos, totalmente autônomos. Estamos vivendo agora a corrida armamentista mais destrutiva da história da humanidade”, como resultado da inteligência artificial, acrescenta o líder ucraniano pedindo “regras globais” sobre como a IA pode ser usada.   

O presidente destacou também que a Ucrânia não tem os “grandes mísseis que os ditadores adoram exibir em desfiles” e enfatizou que o país não teve escolha a não ser construir drones “para proteger nosso direito à vida”.   

Por fim, fez um apelo à ONU para apoiar a Ucrânia: “Não fiquem em silêncio enquanto a Rússia continua a prolongar esta guerra.   

Por favor, manifestem-se e condenem-na. Por favor, juntem-se a nós na defesa do nosso país. A paz depende de todos nós”, ressaltou Zelensky, afirmando que é preciso “fazer tudo para deter o agressor”.   

“Se for preciso usar armas para isso, se for preciso pressionar para isso, façamos isso agora”, concluiu. (ANSA).