Na ONU, Venezuela afirma que foi alvo de operação ilegítima dos EUA

Representante venezuelano afirmou que houve flagrante violação da Carta da Nações por parte dos Estados Unidos

Samuel Moncada
Samuel Moncada, representante da Venezuela na ONU Foto: REUTERS/Brendan McDermid

Em reunião do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), nesta segunda-feira,5, Samuel Moncada, representante da Venezuela na instituição, classificou como ilegal a operação feita pelos Estados Unidos, no sábado, 3, que resultou na captura e prisão do presidente Nicolás Maduro.

“A República Bolivariana da Venezuela foi alvo de uma operação militar e ilegítima dos Estados Unidos da América, inclusive com o sequestro do presidente constitucional da República, o senhor Nicolás Maduro e a primeira dona Celia Flores”, disse.

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Moncada ressaltou que houve flagrante violação da “Carta das Nações pelo Estados Unidos, principalmente contra o princípio da igualdade e da soberania dos Estados”. O venezuelano ainda ressaltou que o documento proíbe o uso da força contra a “integridade territorial ou independência política de qualquer Estado, conforme contemplado no artigo 2 com o artigo 4, e uma violação do dever de se resolver controvérsias por meios pacíficos”.

EUA negam guerra

Já Mike Waltz, representante americano nas Nações Unidas, negou que o país estaria em guerra contra a Venezuela e seu povo, e afastou qualquer pretensão de ocupação do território.

O encontro do Conselho de Segurança foi convocado depois que os EUA realizaram uma grande operação militar na Venezuela, que resultou na captura e prisão do presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Ambos foram levados a Nova York, onde devem ser julgados por acusações relacionadas ao narcotráfico.

Não há um número exato de mortes na operação americana. De acordo com os EUA, alguns de seus soldados apenas sofreram ferimentos, mas estão em condição estável.

O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, afirmou que grande parte da equipe de segurança de Maduro foi morta na ação. Segundo Cuba, 32 de seus cidadãos morreram no ataque americano.

Reforço de acusações contra Maduro

Em outro ponto da reunião, os Estados Unidos reforçaram as acusações contra Nicolás Maduro, afirmando que ele e sua esposa são “narcorterroristas”.

“Nicolás Maduro é responsável por ataques ao povo dos Estados Unidos, desestabilizar o hemisfério ocidental e, ilegitimamente, reprimir o povo da Venezuela”, alegou Mike Waltz.