Na ONU, premier italiano pede resposta global para migrações

NOVA YORK, 20 SET (ANSA) – O primeiro-ministro italiano, Paolo Gentiloni, discursou nesta quarta-feira (20) na Assembleia Geral das Nações Unidas e focou sua fala nas questões ligadas à imigração.   

“A Itália é e quer continuar sendo um país de acolhimento, mesmo sendo consciente sobre o vínculo inseparável entre o princípio da solidariedade e aquele da segurança. Mas, para consolidar a nossa ação, nós temos a necessidade de uma resposta global ao fenômeno migratório, que parta da União Europeia e atinja toda a comunidade internacional”, disse aos presentes.   

Durante os últimos cinco anos, quando a crise migratória ao continente europeu aumentou consideravelmente, a Itália tem sido uma das principais portas de entrada para os imigrantes ilegais ao lado da Grécia.   

Por conta disso, o governo italiano começou a fechar uma série de acordos bilaterais com países do norte da África, especialmente, a Líbia – de onde partem praticamente todos os barcos com deslocados para as ilhas italianas.   

“O futuro da Europa está na África. A Itália já é uma das promotoras de uma verdadeira parceria com os países africanos. É investindo na África que se enfrentam as causas profundas das migrações, primeiramente na questão da desigualdade econômica e demográfica. A aproximação integrada e estrutural, no que acreditamos, já está dando os primeiros resultados”, destacou ainda.   

Mais especificamente sobre a Líbia, Gentiloni afirmou que o país é “a peça fundamental para restituir ao Mediterrâneo Central o seu papel histórico de motor da civilização, de paz e de segurança”.   

“A sua estabilização é um objetivo prioritário, que precisamos atingir através de um diálogo inclusivo, no quadro do Acordo Político, rejeitando qualquer hipótese venenosa de solução militar”, acrescentou.   

Ex-colônia italiana, a Líbia vive uma guerra civil desde 2011, quando houve a queda do ditador Muammar Khadafi. No país, as diversas facções entraram em conflito por anos até que, com a intermediação também da Itália e da ONU, um governo de autoridade nacional foi criado.   

Apesar da tensão continuar alta no país, os acordos assinados com italianos – e posteriormente com a União Europeia – já conseguiram reduzir a quantidade de pessoas que tentam atravessar o Mar Mediterrâneo.   

No discurso, Gentiloni destacou ainda que a Itália está “na primeira fila” no apoio às ações da ONU no país e apoia o reforço da presença dos capacetes azuis na Líbia.   

“Na Líbia, não haverá estabilidade até quando não forem abraçados os valores de um verdadeiro percurso de inclusão e de reconciliação, que como comunidade internacional precisamos responder com uma única voz. E a mesma população líbia é quem pede um país estável, sólido e seguro”, afirmou. (ANSA)