Semanal

Na ONU, entre mentiras e mentiras, Bolsonaro humilhou o Brasil

Na ONU, entre mentiras e mentiras, Bolsonaro humilhou o Brasil

Bolsonaro faz discurso na Assembleia-Geral da ONU

Jair Bolsonaro mais uma vez humilhou o Brasil frente à comunidade internacional. Na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, Bolsonaro mentiu do começo ao fim do seu breve pronunciamento. Com a dificuldade habitual no trato das palavras e a insegurança que o caracteriza, leu o pronunciamento como se fosse um aluno do curso Fundamental 1.

Logo de início atacou a imprensa nacional e internacional deixando claro que é um inimigo da liberdade de opinião. Afirmou que iria apresentar um Brasil diferente. E cumpriu a promessa, pois durante sua breve exposição ficou batente a dissociação entre o Brasil real, e o Brasil dos seiscentos mil óbitos da pandemia, com o retrato idílico de que tudo vai bem na terra descoberta por Pedro Álvares Cabral.

Depois do que sabemos, graças à CPI da Pandemia, dos desvios na compra das vacinas e de medicamentos e equipamentos para o combate à Covid-19, Bolsonaro afirmou que no seu governo não há corrupção. Não satisfeito em mentir descaradamente sobre os crimes que cometeu durante a pandemia, afirmou, sem corar, que o Brasil estava à beira do socialismo.” Socialismo? Onde? No Brasil? Quando? Temer fez um governo socialista? Dilma? Com o apoio da Igreja Universal? E do Centrão? Que socialismo foi esse?

Continuando o delírio, Bolsonaro, contra todas as evidências, afirmou que temos uma legislação ambiental que é um exemplo para o mundo – omitindo os graves crimes contra a natureza que vem patrocinando desde janeiro de 2019 – e ao citar as comunidades indígenas proclamou que os indígenas querem trabalhar, como se não trabalhassem, vivessem no ócio.

Em meio a platitudes – e demonstrando enorme nervosismo – começou a comentar a pandemia. Por mais incrível que pareça, Bolsonaro desprezou as vacinas, disse que era contra a obrigatoriedade da vacinação – remando contra todos os governos que lutam para que suas populações se protejam do vírus -, defendeu o criminoso “tratamento precoce” e disse que não entendia como os cientistas e a imprensa de todo o mundo eram contrários.

Como um pateta, fez questão de dar o seu testemunho e invocou o Conselho Federal de Medicina. Não satisfeito, mentiu sobre a deliberação do Supremo Tribunal Federal sobre a “competência concorrente” de estados, municípios, Distrito Federal e a União no enfrentamento da pandemia. E para completar fez questão de dizer que o auxílio emergencial foi de 600 dólares!!!

Quando caminhava para o final, Bolsonaro não perdeu oportunidade para novamente mentir. Disse que as manifestações golpistas de Sete de Setembro tiveram como objetivo defender a democracia. Defender a democracia? Advogando o fechamento do STF? Impondo a ditadura? Chamando o ministro Alexandre de Moraes de canalha? Dizendo que não cumpriria mais as decisões judiciais?

Como Bolsonaro vive em um mundo particular – o do nazifascismo – ele não tem compromisso com a verdade, com a democracia, com a Constituição. O pronunciamento demonstrou mais uma vez que ele não tem a mínima condição de permanecer na Presidência da República. Hoje, o Brasil é um Estado-pária no mundo. E a permanência no poder vai aprofundar o nosso isolamento internacional e agravar os graves problemas internos.

Aqueles que imaginavam que uma simples cartinha ginasial intitulada pomposamente de Declaração à Nação, fosse mudar o comportamento de Jair Bolsonaro, mais uma vez tiveram uma demonstração de que o presidente da República não arredou um centímetro da sua posição negacionista, genocida e de compromisso eterno com o nazifascismo.