Durante reunião extraordinária da OEA (Organização dos Estados Americanos) nesta terça-feira, 6, o Brasil reafirmou sua posição contra a ação dos Estados Unidos na Venezuela e disse que o presidente Nicolás Maduro foi sequestrado.
O termo foi utilizado pelo representante do Brasil na OEA, Benoni Belli, em Washington (EUA). “O momento atual é grave e evoca tempos que considerávamos ultrapassados, mas que voltam a assolar a América Latina e o Caribe. Os bombardeios no território da Venezuela e o sequestro do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e ameaçam a comunidade internacional com um precedente extremamente perigoso”, emendou.
Ainda durante o discurso, o embaixador destacou que o Brasil não pretende hesitar em defender a não intervenção e a paz na América Latina. Além disso, ressaltou que a defesa da soberania nacional, com base no direito internacional, é essencial.
Discurso na ONU
O Brasil também discursou na reunião do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), na segunda-feira, 5, e também condenou a operação americana realizada na Venezuela no dia 3 de janeiro de 2026.
Na ocasião, o embaixador do Brasil na ONU, Sérgio Danese, afirmou que não é possível “aceitar o argumento de que os fins justificam os meios”, pois isso “abre a possibilidade de conceder aos mais fortes o direito de definir o que é justo ou injusto, correto ou incorreto, e até mesmo de ignorar as soberanias nacionais, impondo decisões aos mais fracos”.
“O mundo multipolar do século XXI, que promova a paz e a prosperidade, não se confunde com áreas de influência”, pontou.
As declarações dos embaixadores estão alinhadas com a nota divulgada pelo governo brasileiro e assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“O Brasil rejeita de maneira categórica e com a maior firmeza a intervenção armada em território venezuelano, em flagrante violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional”, afirmou Danese.
O embaixador ainda ponderou que a aceitação de ações como essa podem conduzir a um “cenário marcado pela violência, pelo desordenamento e pela erosão do multilateralismo”.
Além do Brasil, a Rússia e a China, aliados da Venezuela, condenaram a operação estadunidense. Os EUA, por outro lado, se defenderam das críticas e chamaram o Maduro de “fugitivo da Justiça” e ressaltaram que a ação cumpriu a lei.