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Na Índia, a epidemia ganha espaço nas pequenas cidades e no campo

Na Índia, a epidemia ganha espaço nas pequenas cidades e no campo

Um homem faz um teste da COVID-19 no hospital do distrito Pyare Lal Sharma em Meerut, no estado indiano de Uttar Pradesh - AFP

Quando Sarthak Anand contraiu o novo vírus, seus vizinhos começaram a tratá-lo como um “criminoso”, um ato de discriminação muito comum nas pequenas cidades e no interior da Índia, onde a epidemia se espalha.

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“Apesar de já estar completamente curado, ninguém quer se aproximar de mim”, conta à AFP este funcionário público de Meerut, uma cidade do norte da Índia que tem 3,4 milhões de habitantes.

Embora até o momento os principais epicentros da pandemia na Índia fossem as megalópoles de Nova Délhi e Mumbai, agora a COVID-19 começa a se espalhar por regiões com populações menores, mas mais extensas, deste país de 1,3 bilhão de habitantes.

Três semanas depois de ter passado oficialmente um milhão de contágios, a Índia ultrapassou, nesta sexta-feira (7), a barreira dos dois milhões de casos registrados, tornando-se o terceiro país do mundo em casos, atrás dos Estados Unidos e Brasil.

Com 41.585 mortes registradas desde o início da epidemia, a segunda nação mais populosa do planeta tem, no entanto, uma taxa de mortalidade relativamente baixa dado o tamanho de sua população.

Para a especialista em saúde Preeti Kumar, a possível razão para o aumento dos casos fora das grandes cidades está na retomada da atividade dos trabalhadores migrantes.

“Os casos aumentam particularmente em estados como Bihar e Uttar Pradesh”, regiões do norte cujos trabalhadores ganham a vida nas grandes cidades”, explica Kumar à AFP.

– “A discriminação vai me matar” –

Todos os distritos do grande estado de Uttar Pradesh, tão populoso quanto a França, Alemanha ou Reino Unido, estão afetados pela pandemia, apesar de seu isolamento.

A região que ultrapassa os 200 milhões de habitantes já soma 100.000 casos oficiais. A capital regional Lucknow registra 600 casos diários.

Mas os números reais podem ser muito mais elevados, devido aos testes de diagnóstico insuficientes para a enorme população da Índia.

A discriminação associada ao vírus também pode dissuadir os indianos de fazer o teste. As autoridades colocam cartazes em frente às casas das pessoas que deram positivo.

Diferentemente das cidades, onde o uso de máscaras geralmente é respeitado, as áreas rurais – onde dois em cada três indianos vivem – aderiram pouco à essa medida

O habitante de Meerut, Ajay Kumar, também recuperado do vírus, observa que seus vizinhos proíbem seus filhos de brincar com os dele.

“Sequer permitem que minha empregada doméstica venha trabalhar. Isso me deixa triste e com raiva”, disse e se lamenta: “A doença não vai me matar, mas a discriminação sim”.

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