Na Espanha, Papa diz que não há guerra justa no Irã e defende negociações na Ucrânia

Na Espanha, Papa diz que não há guerra justa no Irã e defende negociações na Ucrânia

MADRI, 6 JUN (ANSA) – O papa Leão XIV chegou a Madri neste sábado (6) para uma visita apostólica de uma semana à Espanha ? a primeira de um pontífice ao país desde 2010 ? e afirmou que o conflito envolvendo o Irã não pode ser considerado uma guerra justa e defendeu a retomada de negociações para encerrar a guerra na Ucrânia.

Questionado por jornalistas a bordo do avião papal sobre a possibilidade de aplicar a tradicional teoria da “guerra justa” ao caso iraniano, o pontífice afirmou que esse conceito pertence a um contexto histórico muito diferente do atual.

“Acho que já foi dito com bastante clareza: não há guerra justa lá. O problema é que a teoria da guerra justa vem de séculos passados, quando as pessoas nem sequer conseguiam imaginar as armas e a capacidade de destruição que o homem tem hoje”, declarou.

Segundo ele, a reflexão sobre o tema está presente em sua recente encíclica Magnifica Humanitas. A questão foi levantada após referências feitas pelo vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, ao conceito de guerra justa para justificar ações militares americanas contra Teerã.

Sobre a guerra na Ucrânia, o Papa reiterou a necessidade de intensificar os esforços diplomáticos. “Também devemos promover a negociação. Pelo menos algum esforço estava sendo feito, mas realmente devemos pressionar pelo diálogo para acabar com a violência e a guerra”, afirmou ele, ao comentar as tentativas frustradas de diálogo entre o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o líder russo, Vladimir Putin.

Demonstrando preocupação com o prolongamento do conflito, o Santo Padre destacou o agravamento da situação. “Estou preocupado com a Ucrânia. A situação está piorando a cada dia.

Agora, até mesmo nos Estados Unidos, algumas pessoas querem dar seu apoio. Já se passaram quatro anos e meio. Precisamos encontrar uma solução”, disse.

O Papa também comentou a situação no Líbano, afirmando que mantém contato com líderes religiosos da região. “Estamos buscando uma resposta. A situação é muito complexa”, declarou.

O avião que transportava o Papa pousou no Aeroporto Adolfo Suárez Madrid-Barajas às 10h13 e deu início a uma visita apostólica à Espanha com duração prevista até 12 de junho, incluindo compromissos em Madri, Barcelona e nas Ilhas Canárias.

Na chegada, ele foi recebido pelo rei Felipe VI, pela rainha Letizia e pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez, além de diversas autoridades do governo espanhol. Desde as primeiras horas da manhã, centenas de fiéis e peregrinos se concentravam nos arredores da Catedral da Almudena e do Palácio Real para acompanhar os primeiros eventos públicos da visita papal.

(ANSA).