Edição nº2544 21/09 Ver edições anteriores

Na educação, cooperar é evoluir

Em um passado não muito distante, quem tinha a informação detinha o poder. Hoje, sabemos que isso não é verdade, diante da transformação trazida pela era da informação e pelo uso da internet. Os novos tempos exigem velocidade e constante inovação. Por isso, trabalhar de forma colaborativa, compartilhando ideias, pode ser mais eficaz na busca de soluções inteligentes para desafios comuns.

Na educação não poderia ser diferente. Em um país de dimensão continental e desafios educacionais compatíveis com seu tamanho, trabalhar em conjunto, colocando em prática o chamado regime de colaboração, é essencial para que os planos educacionais se materializem na prática. Neste sentido, o estado de Mato Grosso do Sul vem dando um belo exemplo de cooperação.

Enquanto a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) ainda estava em discussão no Conselho Nacional de Educação (CNE), estabelecendo direitos de aprendizagem para todos os estudantes da Educação Infantil e do Ensino Fundamental, as secretarias de Educação do estado e dos municípios deixaram de lado eventuais diferenças e começaram a planejar uma proposta integrada de currículo escolar para todo o Estado, estabelecendo uma agenda comum de implementação para 2018.

Outra importante inovação iniciada por lá é a implementação de um dos principais eixos da BNCC, que trata de colocar as competências socioemocionais no currículo escolar, com o objetivo de formar integralmente os estudantes para uma vida plena. O Instituto Ayrton Senna apoia a iniciativa, construindo com as redes públicas de ensino uma matriz de competências também voltada ao desenvolvimento socioemocional dos estudantes, na perspectiva de uma educação integral.

Dessa forma, o estado também poderá resolver um problema crítico da educação brasileira: como os anos finais do Ensino Fundamental são, em geral, oferecidos pelas duas redes de ensino – estadual e municipal –, muitas vezes os alunos ingressam no Ensino Médio com níveis de aprendizagem bem distintos. Mas, trabalhando de forma articulada, como agora, o alinhamento quanto aos direitos de aprendizagem dos estudantes poderá ser assegurado. Isso também ajudará na formação dos professores, por exemplo.

Além de espírito colaborativo, é uma iniciativa que exigirá muita perseverança e resiliência entre os gestores públicos, além de uma grande parceria com o terceiro setor e com sociedade civil. É também uma grande oportunidade de se colocar em prática o Artigo 205 da Constituição Federal, quando afirma que para oferecer uma educação de qualidade é preciso trabalhar em colaboração.


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