Na corda bamba

Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

À BEIRA DO ABISMO Um dos calcanhares de Aquiles do governo é o futuro da economia (Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O ministro Paulo Guedes vai passar um final de ano tenebroso: falta de dinheiro para pagar os títulos da dívida; fuga de capitais; ausência de recursos para investimentos, obras e programas sociais; PIB caindo 5%; desemprego recorde; alta de preços… Mas, certamente, o que está tirando o sono do ministro, definitivamente, é mesmo o fato de que o Tesouro chegará a dezembro com a dívida pública se aproximando de 100% do PIB (R$ 6,5 trilhões), pressionando as contas da União. E vai piorar. Até 2025, a dívida baterá em 100,5% do PIB. A Argentina, quebrada, está em 98,7% do PIB, no grupo dos países de alto risco, para o qual o Brasil está entrando. Só em termos comparativos, nossos vizinhos estão melhor: Chile (37,4%), Peru (36,8%), México (51,5%) e Colômbia (62,5%).

Fura-teto

É por isso que ele vive a disparar contra o ministro Rogério Marinho, insistindo na velha cantilena de que o colega “é gastador e fura-teto”. Guedes sente-se ameaçado pelo rival. Não sabe como arrumar os R$ 6 bilhões que Marinho precisa para tocar as obras pedidas por Bolsonaro e muito menos como garantir o Renda Cidadã exigido pelo presidente.

Rombo

Este ano, o Brasil terá um rombo de R$ 880,5 bilhões, dos quais R$ 587,4 bi só por causa da Covid. Se houver uma segunda onda, com a necessidade de novo auxílio-emergencial e socorro às empresas, não haverá o que Guedes possa fazer sem dor. Será obrigado a lançar mão da nova CPMF. Antes, o posto Ipiranga pode fechar as portas para balanço.

Vacina russa com vodca

Pedro França/Agência Senado

O senador Esperidião Amin (PP-SC) diz que tomará a primeira vacina que vier a ser aprovada pela Anvisa. “Para mim, pode ser chinesa, inglesa ou russa. Eu até vou preferir a russa, desde que tenha um perfume de vodca”, brincou. Disse que até fez um pacto com o senador Otto Alencar, da Bahia, onde é testada a vacina Sputinik, da Rússia. “Ele garantiu que será o primeiro a tomar e eu, o segundo.”

Retrato falado

“O Brasil é um salve-se quem puder” (Crédito:Jefferson Rudy/Agência Senado)

O senador Oriovisto Guimarães diz que a situação fiscal é crítica, com a dívida interna chegando a 100% do PIB. Por isso, defende um corte radical nas despesas públicas. Afirma não se conformar que só o Congresso custe anualmente R$ 10,6 bilhões à União. “Tem senador que possui 60 assessores. Eu só tenho 12.” O senador lembra que quando se elegeu, em 2018, lhe disseram que teria direito a R$ 30 mil como auxílio-mudança de Curitiba a Brasília. Abriu mão do privilégio.

Desalento

Enquanto ministros batem cabeça, com agressões públicas entre eles, o desemprego atinge índices recordes, de 14,4% da população economicamente ativa. De acordo com o IBGE, o Brasil alcançou, no último trimestre encerrado em agosto, o maior número de pessoas desocupadas: 13,8 milhões, com uma taxa 9,8% superior a igual período do ano passado. Além das milhares de pessoas que perderam o emprego (4,8 milhões ficaram sem carteira assinada), há uma situação mais grave ainda. A Pnad constatou que há um contingente de 5,9 milhões de brasileiros classificados como desalentados. São os que cansaram de procurar emprego, pois não há trabalho algum sendo ofertado.

Inação

Os bolsonaristas certamente dirão que esses recordes negativos se devem à Covid-19. Em parte têm razão. Se o governo tivesse se empenhado nas reformas (tributária e administrativa) e tirasse do papel as privatizações prometidas, o Brasil teria recursos agora para sair menos destroçado da crise.

Mudando as regras

Às vésperas da eleição, o TRE de Pernambuco mudou as regras do jogo e suspendeu todos os atos de campanha de rua, desde comícios, bandeiraços e até caminhadas, por conta da pandemia. Ocorre que a Covid está em queda no estado e mesmo assim foi o único do País a sofrer essa restrição. O tribunal eleitoral teria extrapolado suas funções.

Ascensão em Recife

Divulgação

A decisão afetou campanhas em Recife, prejudicando candidatos em ascensão, como Marília Arraes (foto). O TRE-PE deliberou no mesmo dia em que o Ibope divulgou que a petista cresceu de 14% para 18%, aproximando-se de João Campos (PSB), que caiu de 33% para 31%. O PT vê o dedo do PSB na medida do tribunal. Os dois devem ir ao segundo turno.

Toma lá dá cá

Nelsinho Trad, Senador do PSD-MS (Crédito:Jefferson Rudy/Agência Senado)

Como o senhor viu a briga do ministro Ricardo Salles com o general Ramos?
Sabe aquele time em que, na preleção dentro do vestiário, um jogador briga com o outro? É claro que durante o jogo o resultado não será bom. É o que está acontecendo no governo.

Atrapalha a unidade do governo na tomada de decisões?
Não é bom que isso aconteça. O Brasil precisa se unir e olhar para a frente. Tem muita gente necessitada depois da pandemia e nós precisamos de união para lhes dar melhores condições de vida.

O que o senhor acha da politização das vacinas?
Quem vai aprovar as vacinas será a Anvisa. Não será o Senado, o presidente ou o Doria. E depois que a Anvisa aprová-las, todos vão querer tomar, seja ela chinesa ou inglesa.

“Tiro também é cultura”

Divulgação

O deputado Eduardo não se emenda. É um dos integrantes do clã Bolsonaro mais fanáticos do armamentismo. No domingo, 1, levou o patético secretário de Cultura, Mário Frias, até uma unidade do Bope no DF e lá praticou tiro ao alvo. O deputado Alexandre Frota não deixou barato: “Essa é a cultura desse idiota.”

Rápidas

  • Jair Bolsonaro tem alguma implicância com o Maranhão que só um bom psicanalista explica. Depois de dizer que virou “boiola, igual maranhense”, ao tomar o Guaraná Jesus, cor de rosa, o presidente comprou uma briga feia com o governador do estado, Flávio Dino.
  • Vale lembrar que, em julho de 2019, durante uma reunião com o ministro Onyx Lorenzoni, Bolsonaro sussurrou e a TV Globo captou: “daqueles governadores de paraíba, o pior é o do Maranhão; tem que ter nada esse cara”.
  • Me engana que eu gosto. Depois que um site descobriu que Flávio Bolsonaro pediu reembolso ao Senado das despesas que fez a Fernando de Noronha, onde passou o feriadão de finados, disse que o reembolso foi pedido por “engano”.
  • Rodrigo Maia jura que quem está obstruindo os trabalhos na Câmara e travando as reformas é o grupo governista de Arthur Lira. Em jogo, está a eleição para a presidência da Casa: Maia deseja eleger Baleia Rossi.

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