Comportamento

Na Ásia, desconfinamento com fronteiras fechadas separa famílias

Na Ásia, desconfinamento com fronteiras fechadas separa famílias

Aeromoça verifica temperatura dos passageiros que embarcam em avião no aeroporto Tianhe, da cidade chinesa de Wuhan, em 29 de maio de 2020 - AFP/Arquivos

Medidas de confinamento para combater a pandemia da COVID-19 estão sendo gradualmente suspensas na Ásia, mas as fronteiras permanecem fechadas, criando difíceis e dolorosas situações para muitas famílias.

A francesa Julie Sergeant, por exemplo, enfrentou o dilema cruel de ir, ou não, ao enterro do pai na França, pois isso significava não poder voltar ao Japão, onde mora e trabalha.

“Eu corria o risco de perder meu emprego, meu apartamento e qualquer fonte de renda por um longo tempo”, disse Julie Sergeant, 29.

Disseram-lhe que ela poderia tentar obter uma exceção por razões humanitárias, mas dois dias antes do funeral era tarde demais.

“Minha mãe estava arrasada. Eu fui a única da família que não pôde comparecer ao enterro do meu pai. Meu irmão e minha irmã me contaram como cada um escreveu um bilhete em um pedaço de papel que eles colocaram na jaqueta dele. E eu não pude fazer isso”, relata ela à AFP com a voz embargada.

Vários países proibiram os estrangeiros de entrarem em seu território, ou fecharam as fronteiras, às vezes com consequências dramáticas para aqueles que vivem a cerca de 10.000 quilômetros de suas famílias.

Os japoneses podem retornar para o Japão, embora tenham de cumprir uma quarentena se procedentes de uma zona de risco.

Já os residentes estrangeiros, incluindo cônjuges de japoneses, ou pessoas que mantêm vínculos antigos com o país, como o grande número de coreanos que estão no Japão há gerações, não podem entrar no território depois que saírem.

– “Uma última vez” –

Yukari, que é metade americana, metade japonesa e mora em Tóquio com o marido japonês e o filho de nove anos, encontra-se em uma situação semelhante.

Como ela não tem nacionalidade japonesa, corre o risco de ser separada do filho e do marido, se voar para os Estados Unidos, onde sua mãe luta contra um câncer em estágio terminal.

“Sou sua única família imediata. Não há mais ninguém nos Estados Unidos”, disse Yukari à AFP, pedindo para não ser identificada por seu sobrenome.

Em março, sua mãe foi diagnosticada com câncer das vias biliares e, em abril, o médico lhe deu apenas algumas semanas, ou meses, de vida. Yukari teve de recorrer a alguns amigos da família.

Depois de um período em que tudo parecia mudar de um momento para o outro, a condição de sua mãe se estabilizou, embora o câncer ainda esteja lá.

“Falei com os amigos que a estão ajudando lá, e um deles me disse: ‘Acho que ela está se segurando em você para te ver pela última vez.’ Foi difícil ouvir isso”, desabafou.

A China relaxou sua política para algumas empresas estrangeiras.

No início de junho, o governo japonês indicou que alguns residentes estrangeiros “poderiam receber” exceções por razões humanitárias. Um raio de esperança para Yukari.

“Eu apenas rezo para poder ir vê-la pela última vez”, completou.

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