PARIS, 3 FEV (ANSA) – O bilionário Elon Musk, proprietário da plataforma X, e a ex-CEO da rede social Linda Yaccarino foram intimados pela promotoria de Paris a comparecer a uma “audiência voluntária” no próximo dia 20 de abril.
A informação foi divulgada em comunicado do Ministério Público francês nesta terça-feira (3), mesma data em que a unidade de combate a crimes cibernéticos realizou buscas em escritórios da rede social na França.
A operação ocorre no âmbito de uma investigação aberta em janeiro de 2025 sobre algoritmos considerados suspeitos da plataforma X e do chatbot Grok.
O inquérito foi ampliado após denúncias relacionadas ao funcionamento da ferramenta de inteligência artificial, incluindo a disseminação de conteúdos que negam o Holocausto e a geração de deepfakes de natureza sexual.
“Convocações para entrevistas voluntárias em 20 de abril de 2026, em Paris, foram enviadas ao Sr. Elon Musk e à Sra. Linda Yaccarino, na condição de gestores de fato e de direito da plataforma X à época dos fatos”, informou o Ministério Público.
Segundo a promotoria, a investigação busca garantir que a plataforma esteja em conformidade com a legislação francesa em suas operações no país. Outros funcionários da X também foram intimados a prestar esclarecimentos.
Paralelamente, crescem os questionamentos sobre o Grok, ferramenta de inteligência artificial integrada ao X e desenvolvida pela xAI, empresa de Musk.
Embora a companhia afirme ter limitado a geração de imagens sexualmente explícitas a partir de fotos reais, testes realizados pelo site The Verge indicam que ainda é possível “despir” homens por meio do chatbot.
De acordo com o jornalista Robert Hart, responsável pelo experimento, o Grok gerou imagens suas em trajes fetichistas e poses sexualizadas, além de criar um “companheiro” virtual quase nu, com o qual era possível interagir de forma sugestiva. O teste foi realizado com a versão gratuita da ferramenta, tanto dentro do X quanto no site grok.com, sem necessidade de cadastro.
Uma análise do Center for Countering Digital Hate aponta que, entre 29 de dezembro de 2025 e 9 de janeiro de 2026, cerca de 3 milhões de imagens sexualmente explícitas e não consensuais envolvendo pessoas reais foram produzidas ou alteradas pelo Grok. Desse total, aproximadamente 23 mil retratariam menores de idade.
Em resposta às críticas, a xAI restringiu, em 9 de janeiro, a função de “despir” pessoas reais apenas a assinantes do X e, cinco dias depois, estendeu a limitação a todos os usuários, após protestos de governos e instituições internacionais.
No fim de janeiro, a União Europeia anunciou a abertura de uma investigação sobre deepfakes gerados pelo chatbot. “Grande parte da indignação pública se concentrou, compreensivelmente, em mulheres e crianças, mas ainda é possível contornar muitas restrições com formulações diferentes ou criativas”, afirmou Hart. (ANSA).