O maquinista puxa o apito do trem para avisar o destino “logo ali de mineiro”, entre São João Del Rei e Tiradentes. Há 40 anos, era ele ali na calçada, pequenino ao lado dos pais, quem dava um tchau para a “Maria Fumaça” passando devagar ao sair da estação. No vagão, dona Edna e seu filho vendem doces que ela faz em casa, pela madrugada – estão na terceira geração. Lá centro, a poucos quilômetros da estação, o vendedor de balas Samuel se prepara para abrir sua lojinha de licores cujo ponto acaba de alugar (até um mês atrás, ele as vendia em frente ao Solar dos Neves). É por ali que dia e noite passa o Alexandre, o mais conhecido guia de São João, para mostrar o que o passado nos deixou de legado.

São 40 minutos de trilhos e fazendas. A cidade de Tiradentes parece se situar nesse mundo contemporâneo agitado na baixa velocidade do trem que a corta: devagar, quase silenciosa. As ruas de pedra e o conjunto arquitetônico colonial remetem a uma viagem no tempo. Sim, Tiradentes tem seu tempo único, e quem pensar em atropelar essa viagem, não curte o lugarejo de 8 mil habitantes. Ah, vale ressaltar, a Maria Fumaça “mora” na vizinha e também histórica São João Del Rei – fazem questão de lembrar os habitantes. Corta-se uma roça, como diz a gíria: Os municípios são tão próximos a ponto de caberem num bairro de qualquer capital.

E ai de quem ousar uma provocação para opor os gentílicos destes lugarejos. Nunca houve. Elas se emendam. E se completam. Sem rivalidade, o trade turístico das duas mostra um profissionalismo para fazer deste pedaço de Minas Gerais dois lugares aprazíveis para passar, no mínimo, um fim de semana. Há o chamado “walking tour” guiado em ambas, um passeio de duas horas, em cada, para conhecer detalhes da História numa revisita ao casario colonial, igrejas e museus. E foi isso que este repórter se propôs a fazer, ao lado de outros jornalistas, convidados para a 17ª edição do e-mundi (encontro mundial da imprensa), numa press trip.

Tiradentes tornou-se há duas décadas muito mais que um lugar de casinhas coloniais coloridas e bem preservadas, com suas igrejas seculares – tudo é ponto de fotos “instagramáveis”. O município agregou valor à sua História no compasso da exigência dos visitantes e na esteira do mercado de eventos. São quase 10 festivais de diferentes setores por ano, e notabilizou-se pela excelência na culinária, por ser point de artesãos e cineastas (outro festival badalado, em janeiro) e de motoqueiros (todo maio recebe o 2º maior encontro duas-rodas do Brasil). Por falar em artesanato, no distrito de Bichinho, a 8 km dali, há centenas deles , que abrem suas casas para vender seus produtos. Vale o passeio. E uma parada para almoçar no Tempero da Ângela. A sua cozinha é aberta, a comida feita literalmente no fogão de lenha da casa. Dona Ângela conta que formou as três filhas no ensino superior servindo pratos deliciosos da culinária mineira ali na casinha que se expandiu para dois grandes salões.

Tiradentes, assim – desde dona Ângela a chefs conceituados do circuito nacional – tornou-se eclética, como seus cardápios nas casas de frente para as pedras pontiagudas. São 78 restaurantes e 200 pousadas – números surpreendentes para uma cidadela de menos de 10 mil habitantes, mas que chegam a 50 mil com os visitantes em festivais.

Come-se muito, muito e muito bem no perímetro da cidade. No pioneiro, o restaurante Padre Toledo, por exemplo; no Ateliê Gastronômico do chef Higor Braga e no badalado – e sempre lotado – Tragaluz, onde o conhecido chef Felipe Rameh foi requisitado pelo e-mundi especialmente para cozinhar para o grupo. Do frango com ora pro nobis, da galinhada, do arroz com pequi aos pratos de culinárias asiáticas e mediterrâneas – e a tradicional carne bovina – a cidade não decepciona e se equipara a qualquer outra turística do mundo em seus menu (veja no fim da matéria os links dos instagram de restaurantes, queijarias e alambique visitados). A goiabada frita sobre uma “cama” de queijo das vertentes derretido, servida no Tragaluz, é mundialmente comemorada – a ponto de uma famosa influenciadora voar de jatinho de São Paulo só para se deliciar com a sobremesa numa tarde dessas.

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Tiradentes cuida de se preservar. Mantém uma tradição de charretes puxadas por cavalos (bem cuidados, vale citar) pelo centro histórico. Seria excelente não encontrar carros nessas ruas e becos. Mas o comércio precisa. Os poucos moradores, idem. Um dos nossos anfitriões, Guilherme Carvalho, Superintendente da Secretaria de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer, destaca o esforço como um “compliance” administrativo para mostrar aos visitantes o zelo por cada canto. A rede municipal de ensino de Tiradentes, só para citar um case, tem a disciplina de Ensino Patrimonial para a garotada.

Foi esse estilo de vida que puxou para lá o empresário Alexandre Lanna, um dos proprietários do Restaurante Tragaluz , que noite alta fez questão de abrir as portas, em sobrado vizinho, para apresentar as galerias do recém-aberto instituto que leva o nome do estabelecimento. Quem vai, quer ficar mais tempo (olhem aí, citei lá em cima o tempo imutável de Tiradentes). O melhor da cidade, acredite, não são as igrejas, museus, os restaurantes premiados. É o Cláudio, do Bar do Agostinho em São João. É o maquinista do trem; a dona Edna; os guias; o charreteiro; o garçom que conta causos; é o conjunto da obra humana. A História, claro, é feita de gente. Tiradentes e São João Del Rei têm personagens contemporâneos aptos a escrever diariamente as suas – e as nossas. A viagem fica registrada no livro da vida dos visitantes.

O repórter viajou a convite do e-mundi, que contou com apoio da Secretaria de Estado de Turismo e Cultura de Minas Gerais, e da Associação Brasileira de Empresas Aéreas (ABEAR), pelo Voar +

Serviço da mineiridade nas duas cidades: Onde comer, ficar, com quem passear etc

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Press trip por São João Del Rei e Tiradentes
Fotos Paulo Guto

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