Museu do Louvre fecha em Paris após onda de protestos na França

Greve estudantil interrompe visitas a um dos principais museus do mundo; manifestações contra o custo de vida provocam confrontos e milhares de detenções

Museu do Louvre, em Paris, que suspendeu a visitação nesta segunda-feira (19) em razão de uma greve estudantil, em meio à onda de protestos na França.
Foto: Museu do Louvre, em Paris, que suspendeu a visitação nesta segunda-feira (19) em razão de uma greve estudantil, em meio à onda de protestos na França.

O Museu do Louvre, um dos principais pontos turísticos de Paris, suspendeu o atendimento ao público nesta segunda-feira (19), em meio à onda de manifestações que atinge a França. O fechamento foi anunciado pela administração da instituição, que atribuiu a decisão a uma greve estudantil e não estabeleceu uma data para a retomada das visitas.

A paralisação ocorre após um fim de semana marcado por protestos contra o aumento do custo de vida, cortes de gastos públicos e problemas nos serviços essenciais. As mobilizações reuniram centenas de milhares de pessoas e terminaram em confrontos com as forças de segurança em diferentes cidades francesas.

Turistas que chegaram ao Louvre pela manhã foram orientados a consultar os canais oficiais do museu para obter informações sobre os ingressos adquiridos e as possibilidades de remarcação.

Louvre suspende visitas sem previsão de reabertura

A administração do museu informou que a interrupção das atividades está relacionada à mobilização estudantil que se espalhou pela capital francesa.

A medida afeta visitantes de diferentes países que haviam programado conhecer o acervo da instituição, responsável por abrigar obras mundialmente conhecidas, como a Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, e a escultura Vênus de Milo.

Antes do fechamento, o Louvre já havia anunciado restrições de acesso devido às manifestações. O museu também havia estabelecido regras especiais de reserva de ingressos para o período entre 17 de outubro e 1º de novembro.

Com a suspensão das visitas nesta segunda-feira, turistas devem acompanhar os comunicados oficiais antes de se deslocarem até a instituição.

Protestos deixam milhares de detidos e feridos

As manifestações ganharam força no sábado (17), quando aproximadamente 550 mil pessoas participaram de atos em diferentes regiões da França, segundo estimativas das autoridades.

Embora grande parte das passeatas tenha ocorrido pacificamente, grupos de manifestantes entraram em confronto com policiais, incendiaram veículos e provocaram danos a estabelecimentos comerciais e prédios públicos.

Os balanços sobre as consequências dos protestos foram atualizados ao longo do fim de semana. Informações divulgadas nesta segunda-feira apontam mais de 2 mil detenções e ao menos duas mortes, além de feridos graves.

Em Paris, as forças de segurança utilizaram gás lacrimogêneo para dispersar grupos envolvidos em tumultos. Também foram registrados episódios de violência em cidades como Lyon, Marselha e Limoges.

Nesta última, um incêndio atingiu um prédio histórico da prefeitura e provocou o desabamento de parte da estrutura.

Como começou a onda de manifestações na França?

A mobilização teve início em setembro, quando estudantes e professores de uma escola localizada na periferia de Paris começaram a protestar por melhores condições de ensino.

As reivindicações incluíam a contratação de profissionais, melhorias na infraestrutura e maior investimento na educação pública.

Mesmo depois de parte das demandas iniciais ter sido atendida, os protestos se espalharam para outras instituições de ensino. O movimento passou a incorporar críticas ao aumento dos preços, à desigualdade social e às políticas econômicas do governo.

Sindicatos, trabalhadores e integrantes de outros movimentos sociais aderiram às manifestações, ampliando a pressão sobre as autoridades francesas.

Os confrontos entre policiais e manifestantes também contribuíram para intensificar a mobilização, especialmente após a divulgação de imagens de abordagens consideradas violentas.

Macron promete respostas e condena atos de violência

Diante da crise, o presidente francês, Emmanuel Macron, condenou os episódios de vandalismo e afirmou que os responsáveis por ataques a prédios públicos e estabelecimentos comerciais deverão responder judicialmente.

O chefe de Estado também sinalizou a intenção de promover reuniões com integrantes do governo e representantes da sociedade para discutir medidas relacionadas às reivindicações dos manifestantes.

A administração francesa enfrenta críticas pela condução da crise e pela atuação das forças de segurança. Ao mesmo tempo, autoridades defendem que o direito à manifestação deve ser preservado sem permitir ataques contra pessoas e patrimônios.

A suspensão das atividades do Louvre evidencia como a instabilidade social passou a afetar também o turismo e a rotina de Paris.

Ainda não há confirmação de quando o museu voltará a receber visitantes.

Da IstoÉ