O Museu da Diversidade Sexual inaugura, nesta quarta-feira (19), a exposição Alice Oliveira, um reconhecimento ao trabalho de mais de quatro décadas da ativista e fotógrafa. A mostra coincide com o Dia do Orgulho Lésbico e celebra a contribuição de Alice Oliveira para a memória e a visibilidade dos movimentos sociais.
- A exposição Alice Oliveira é inaugurada no Museu da Diversidade Sexual, homenageando a fotógrafa e ativista.
- Os registros históricos abrangem os movimentos feministas, lésbicos e LGBTQ+ do Brasil e da América Latina nas décadas de 1980 e 1990.
- A curadoria resgata material esquecido, enfatizando a relevância da documentação para a reconstrução da história de grupos dissidentes.
A exposição reúne trinta fotografias, negativos, documentos e registros audiovisuais que reconstroem a história desses movimentos a partir de encontros, manifestações, articulações políticas e redes de solidariedade. Este material, produzido por Alice Oliveira, permaneceu esquecido por muitos anos.
Inicialmente, a ativista não se considerava fotógrafa, o que atrasou o processo de digitalização e catalogação, concluído apenas recentemente. Essa lacuna de reconhecimento é comum na história de grupos dissidentes, que não se enquadram no padrão cis-heteronormativo, resultando em lapsos de memória pela ausência de registros.
Acervo de Alice Oliveira revela história oculta de movimentos sociais
Pedro Vieira, curador da exposição e pesquisador do acervo de Alice Oliveira, destaca a importância vital desses registros. “Os registros, tanto de documentação como fotográficos, são fundamentais para que a gente possa reconstruir nossa história. Pensando em quem eram as pessoas que estavam nesses eventos, quem eram os ativistas e o que estava sendo pautado, a gente consegue entender como chegamos até aqui”, explicou Vieira.
Qual a importância dos registros de movimentos dissidentes?
Por meio do acervo de Alice Oliveira, é possível visualizar a evolução do movimento LGBT+. Algumas das fotos, por exemplo, ilustram a 17ª Conferência da Associação Internacional de Gays e Lésbicas (ILGA), que ocorreu no Rio de Janeiro em 1995, sendo a primeira vez que o evento foi sediado no Brasil.
Esse encontro marcou um momento crucial para a historiografia LGBTQ+. Em junho de 1995, ao final da conferência, os participantes realizaram um grande ato na Orla de Copacabana, o maior até então registrado no país. Muitos historiadores consideram essa manifestação como a primeira parada do orgulho do Brasil.
O acervo também documenta momentos importantes da luta feminista. No final dos anos 1980, Alice Oliveira colaborou na organização do 3º Encontro Feminista Latino-Americano e Caribenho em Bertioga. A ativista narra que este foi o primeiro grande contato do movimento brasileiro com o restante do continente.
Além disso, Alice participou de dois encontros em El Salvador. Ela descreve essas experiências como momentos de fortalecimento para mulheres de diversas realidades, desde indígenas e quilombolas até intelectuais e parlamentares, que não encontram esse suporte no cotidiano.
Pioneirismo e o legado de união para o movimento LGBTQ+
Hoje, aos 70 anos, Alice Oliveira dedica sua militância à defesa dos idosos LGBT+ em conselhos e espaços de políticas públicas. Ela advoga pela união, maturidade e clareza do movimento atual, incentivando o abandono de disputas por poder.
Para ilustrar a importância da união, a ativista recorre a uma metáfora que aprendeu com a Cacique Pequena, primeira mulher cacique do Brasil, do povo Jenipapo-Kanindé: um graveto isolado se quebra com facilidade, mas quatro ou cinco gravetos juntos são indestrutíveis.
Serviço:
- Exposição: Acervo Alice Oliveira
- Abertura: 19 de agosto de 2026
- Encerramento: Fevereiro de 2027
- Local: Museu da Diversidade Sexual
- Horário: Das 10h às 18h (terça a domingo)
- Ingressos gratuitos: Via Sympla