Mundo registra protestos a favor e contra ataque dos EUA à Venezuela

ROMA, 3 JAN (ANSA) – Diversas partes do mundo, incluindo Roma, na Itália, registraram ao longo deste sábado (3) manifestações favoráveis e contrárias ao ataque dos Estados Unidos à Venezuela, que resultou na captura do presidente do país sul-americano, Nicolás Maduro.   

Na “Cidade Eterna”, os atos se concentraram na Via Bissolati, nas proximidades da Embaixada dos EUA na capital italiana. Os manifestantes criticaram as ações das forças militares americanas e, segundo estimativas, cerca de 200 pessoas, entre elas grupos de estudantes, exibiram faixas com dizeres como “Tirem as mãos da Venezuela” e “Libertem Maduro imediatamente”.   

“Condenamos veementemente a ampliação da guerra como meio de resolver conflitos entre Estados e a mais recente e grave escalada provocada pelo ataque militar do governo Trump contra a Venezuela e pelo sequestro de Maduro e de sua família. Trata-se de uma violação flagrante e sem precedentes do direito internacional e da soberania dos povos”, afirmaram em nota algumas associações italianas, entre elas a Associação Nacional dos Partisans Italianos (Anpi) e a Confederação-Geral Italiana do Trabalho (CGIL).   

As entidades anunciaram que voltarão a se reunir na próxima segunda-feira (5), quando realizarão um novo protesto em defesa de Maduro na Piazza Barberini, em Roma.   

Em Londres, dezenas de pessoas, incluindo membros do Partido Comunista da Grã-Bretanha, protestaram em frente à Embaixada dos EUA na capital britânica. Durante o ato, também pediram que os americanos “tirem as mãos da Venezuela”. Em cartazes, os participantes defenderam que o mundo “proteja” Caracas e mencionaram o slogan “o povo unido jamais será vencido”.   

Já em Madri, na Espanha, grupos de venezuelanos celebraram nas ruas a notícia da captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. No entanto, a euforia foi marcada por uma mistura de alegria e cautela, uma vez que os bombardeios dos EUA atingiram áreas próximas às casas de familiares de alguns sul-americanos residentes na capital espanhola.   

“Mais do que um sequestro, eu diria que foi uma destituição.   

Por mais de 25 anos, milhares de venezuelanos foram torturados e mortos pelo regime. Já era hora de alguém tirar de lá aqueles que usurparam o poder”, afirmou a venezuelana María Ángeles, refugiada na Espanha há dois anos, em entrevista à ANSA.   

Outras venezuelanas, como Maribel, de 52 anos, e Fabiana, de 25, relataram estar ansiosas por notícias de suas famílias, já que as explosões registradas no país ocorreram muito próximas das casas de parentes.   

No Chile e nos Estados Unidos, centenas de venezuelanos também dançaram e cantaram em comemoração à ação militar na Venezuela. As manifestações ocorreram em cidades como Santiago e Miami.   

Para muitos dos participantes, que exibiam bandeiras do país, a prisão de Maduro simbolizou o fim de um ciclo negativo marcado por uma profunda crise econômica e política. (ANSA).