Multidão em Copacabana se despede de 2025, ano marcado por trégua em Gaza e volta de Trump

Uma maré humana cobriu as famosas areias de Copacabana na tradicional celebração do “Réveillon” do Rio de Janeiro para se despedir de 2025, um ano marcado por conflitos, como o na Faixa de Gaza, e pelo retorno de Donald Trump à Casa Branca.

A festa carioca na popular praia brasileira foi reconhecida pelo Livro Guinness dos Recordes. As autoridades do Rio de Janeiro aguardavam cerca de 2,5 milhões de participantes.

A multidão – vestida em sua maioria de branco, como dita a tradição relacionada a Iemanjá, a deusa do mar nas religiões de matriz africana – lotou a extensa orla para desfrutar dos shows de lendas da música brasileira como Gilberto Gil e dos famosos fogos de artifício, o momento mais esperado da noite.

“Eu tinha ouvido dizer que era algo grandioso, mas, ainda assim, me parece ótimo, há muito civismo aqui, muita ordem. Acho espetacular que tenham isso de graça para todo mundo”, disse à AFP, à beira da praia, Harrie Fox, um colombiano de 48 anos que viajou com o namorado para viver a famosa celebração.

Nova York também celebrou a chegada de 2026 com milhares de pessoas reunidas na Times Square para presenciar a tradicional descida da bola, sob uma chuva de confete e com temperaturas congelantes.

Pouco depois da meia-noite, Zohran Mamdani, de 34 anos, tomou posse como primeiro prefeito muçulmano de Nova York e jovem promessa da esquerda americana.

Simultaneamente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebia o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em uma deslumbrante festa de Fim de Ano em sua luxuosa residência de Mar-a-Lago (Flórida).

Em Sydney, a autoproclamada “capital mundial do Ano Novo”, os preparativos para o Ano Novo tiveram um gosto amargo.

Há apenas duas semanas, dois homens invadiram uma popular festa judaica na concorrida praia de Bondi e mataram 15 pessoas, o pior massacre registrado no país em três décadas.

Uma hora antes da meia-noite, os festejos pararam para um minuto de silêncio, enquanto a ponte de Sydney foi iluminada de branco como símbolo da paz.

Mesmo assim, centenas de milhares de espectadores lotaram o porto de Sydney para ver o show pirotécnico de nove toneladas de fogos acionados à meia-noite.

– “Este é o começo” –

Em Paris, as pessoas se reuniram perto da Torre Eiffel, onde abriram garrafas de champanhe, enquanto na Escócia, uma multidão dançava para dar as boas-vindas ao ano novo na Rua Hogmanay, em Edimburgo.

O ano de 2025 foi marcado pelo retorno de Trump ao poder.

Após dois anos de guerra em Gaza, a pressão americana ajudou a alcançar um cessar-fogo entre Israel e o grupo islamista palestino Hamas, embora os habitantes continuem tentando sobreviver neste território em ruínas.

Pelas mãos de Trump, Washington aumentou sua presença militar no Caribe, realizou ataques contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas naquela região e pediu o bloqueio de todos os petroleiros sancionados que entrarem ou saírem da Venezuela, em uma escalada sem precedentes com Caracas.

Além disso, as operações migratórias de Trump afetaram duramente a América Latina, onde milhões de pessoas dependem das remessas para driblar a pobreza.

“Este não é o fim, este é o começo”, disse à AFP Pedro Gómez, indígena maia de 29 anos, ao chegar na terça-feira ao aeroporto da capital guatemalteca em um dos últimos voos do ano com deportados dos Estados Unidos.

– Copa do Mundo e missões espaciais –

O restante da América Latina também celebrou a chegada do Ano Novo.

No Equador, 2025 fechou com um novo recorde de homicídios, a maioria relacionados com a violência imposta pelo crime organizado.

“Espero que possa chegar um pouco de paz ao país. Por trás de cada vítima do crime organizado, da delinquência, há famílias inteiras que sofrem”, declarou Rosa Ríos, uma dona de casa de 60 anos que vive na província de El Oro.

A Cidade do México organizou um evento popular tradicional que reúne anualmente centenas de milhares de pessoas para dançar e ouvir música eletrônica, em meio à preocupação com a situação da economia.

“Minha esperança é que as pessoas venham investir, que haja fontes de trabalho, para que os serviços de saúde e os serviços aos quais nós, aposentados, temos acesso possam estar em condições adequadas”, disse Enrique Flores, de 61 anos.

Na Argentina, a economia também é fonte de preocupação, mas as atenções estiveram voltadas para a Copa do Mundo, que será disputada simultaneamente em Estados Unidos, México e Canadá.

“Tenho muita fé e muita esperança de que a Argentina repita esse grande feito. Fomos campeões mundiais, então acho que isso pode acontecer”, disse a faxineira Celeste Meza, de 40 anos.

Além do esporte, os próximos 12 meses serão marcados por viagens espaciais. Mais de 50 anos após a última missão lunar Apollo, 2026 se anuncia como o ano em que a humanidade voltará a olhar para a Lua.

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