O presidente iraniano, Hassan Rohani, criticou os Estados Unidos nesta terça-feira (11), país que, segundo ele, não suporta a vitória da Revolução Islâmica.
O discurso foi feito diante de uma multidão reunida por ocasião do aniversário da derrubada do regime imperial do xá.
Uma maré humana enfrentou o frio congelante, enquanto a capital acordou sob uma camada de neve, para se reunir na praça Azadi (“liberdade”, em persa), em Teerã, com o desejo de mostrar a “unidade” do povo, em um momento de pressão constante dos Estados Unidos sobre o Irã.
Alguns pintaram as bochechas com as cores da bandeira iraniana, outros exibiam retratos do aiatolá Ruhollah Khomeini, pai fundador da República Islâmica, e Ali Khamenei, seu sucessor.
“Morte à América”, “morte a Israel”, “morte aos sauditas”, “abaixo o plano de Trump na Palestina!”, eram algumas das palavras de ordem dos participantes, em referência ao plano americano de resolver o conflito entre israelenses e palestinos. O plano é rejeitado pelo Irã e por outros países muçulmanos.
O Estado apelou aos iranianos para que participassem em massa da manifestação, depois de um ano marcado por violentos protestos nas ruas causados por um aumento repentino no preço dos combustíveis, mas, principalmente, pelas tensões com os EUA.
“Proteger nosso país e nossa região depende da nossa unidade, e a participação neste evento é um símbolo dessa unidade”, disse o líder reformista Hadi Khamenei, irmão do aiatolá Ali Khamenei, segundo a televisão estatal.
Após o retorno do aiatolá Ruhollah Khomeini do exílio em 1º de fevereiro de 1979, o Irã comemorou em 11 de fevereiro a derrubada do regime imperial do xá Mohammad Reza Pahlavi, aliado de Washington.
Em abril de 1980, Washington cortou os laços diplomáticos com Teerã, onde estudantes islamitas fizeram diplomatas americanos de reféns na embaixada.
As tensões entre os dois países atingiram um novo pico após a morte do poderoso general iraniano Qassem Soleimani, morto em um ataque americano em Bagdá em 3 de janeiro deste ano.
Em retaliação, o Irã lançou mísseis no dia 8 do mesmo mês contra duas bases iraquianas que abrigavam americanos.
“É insuportável para os Estados Unidos aceitarem a vitória de uma grande nação e que uma superpotência tenha sido expulsa desta terra”, disse Rohani no comício.
“É natural para eles (Estados Unidos) sonharem, por 41 anos, com um retorno a esta terra, porque sabem que somos um dos países mais poderosos” do Oriente Médio, ressaltou o presidente iraniano.
– “Grandeza” –
“Os americanos não entenderam a grandeza do povo iraniano. Os Estados Unidos pensam que estão enfrentando 41 anos de civilização. Não, os americanos estão enfrentando milhares de anos de civilização iraniana”, reforçou o presidente.
Yasser Mohammadi, de 37 anos, trabalhador do setor de importação e exportação, disse à AFP que veio “apoiar a autoridade da República Islâmica”.
“É verdade que temos problemas internos, como economia e má administração, mas isso não nos impedirá de apoiar nossa República Islâmica!”, lançou.
“Também queremos mostrar ao mundo que os Estados Unidos se comportam mal e estão errados”, acrescentou, denunciando veementemente a morte do general Soleimani.
Um pouco distante, coberta por um xador, uma jovem de 34 anos disse à AFP que o general iraniano “foi morto pelos iranianos, mas também por todos os muçulmanos do mundo”.
As relações entre Washington e Teerã se deterioraram acentuadamente desde a saída unilateral dos Estados Unidos, em maio de 2018, do acordo nuclear internacional iraniano.
Após a retirada, os Estados Unidos restabeleceram uma série de sanções econômicas contra o Irã, como parte de uma campanha de “pressão máxima” contra a República Islâmica.
“Nos últimos dois anos, os Estados Unidos fizeram tal pressão sobre o nosso povo amado, sobre todo nosso sistema comercial, as nossas importações (…) para esgotar a paciência do nosso povo”, disse Rohani.
Este comício ocorre dez dias antes das eleições legislativas.
Muitos analistas preveem um fracasso na aliança governista de Rohani, formada por moderados e reformistas.