Líderes indígenas do Peru pedem “justiça” para evitar que centenas de casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes, supostamente perpetrados por professores e familiares em uma região amazônica, fiquem impunes, disse nesta terça-feira (10) à AFP a presidente do Conselho de Mulheres Awajún, Rosemary Pioc.
Os supostos abusos remontam a 2010, mas a falta de financiamento obrigou as autoridades a reduzir neste ano, de três para uma, as promotorias encarregadas de investigar as denúncias, segundo o Ministério Público.
“Temos 800 casos de violência sexual contra menores que foram denunciados ao Ministério Público”, afirmou indignada Pioc, de Santa María de Nieva, na região Amazonas.
Em junho de 2024, o governo anunciou que investigaria as denúncias de abuso sexual contra cerca de 500 estudantes indígenas por parte de professores nessa mesma região.
De acordo com a líder indígena, os abusos continuam e apenas 111 professores foram afastados, outros 72 foram absolvidos e quatro suspensos temporariamente.
As vítimas estudavam em escolas públicas da província de Condorcanqui, na selva do norte do Peru, perto do Equador.
Segundo o Ministério da Educação, 616 docentes foram denunciados pelos crimes de violência sexual na mesma região.
“Todos os dias há estupros, exigimos que se faça justiça. Estamos exigindo que esses pedófilos sejam realmente punidos”, declarou Pioc.
Em 2026 já foram registradas 19 denúncias de abusos contra menores, informou a dirigente.
Embora os abusos tenham começado em 2010, o caso só veio à tona em 2024, quando a líder indígena fez a denúncia.
Foram “cometidos em residências estudantis”, de acordo com a denúncia. Entre os supostos agressores há professores e pessoas do círculo familiar próximo, como pais, avôs e tios.
A comunidade Awajún protestará na sexta-feira em frente ao Ministério Público de Amazonas para exigir a continuidade das investigações.
O Poder Judiciário ratificou na rede social X “seu firme compromisso de sancionar de maneira exemplar e com todo o rigor da lei os crimes de violência sexual cometidos contra meninas, meninos e adolescentes Awajún em Condorcanqui”.
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