Mulher de Marcinho VP e filho são presos em operação da PF contra o Comando Vermelho

Operação Backbone investiga esquema de exploração ilegal de serviços de internet e lavagem de dinheiro no Rio de Janeiro; Justiça determinou bloqueio de até R$ 558 milhões

Mulher de Marcinho VP e filho são presos em operação da PF contra o Comando Vermelho

A empresária Márcia Gama Nepomuceno, mulher do traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, foi presa pela Polícia Federal nesta segunda-feira (19), durante a Operação Backbone, deflagrada para investigar uma estrutura criminosa ligada ao Comando Vermelho no Rio de Janeiro.

Márcia também é mãe do rapper Oruam. Outro filho do casal, Lucas dos Santos Nepomuceno, foi preso na mesma operação. Ambos foram encaminhados à Superintendência da Polícia Federal na capital fluminense.

A ofensiva tem como foco um suposto esquema de controle ilegal do fornecimento de internet em comunidades do Rio, além da utilização de empresas para movimentar e ocultar recursos provenientes de atividades criminosas.

Os dois estavam entre os alvos de 23 mandados de prisão preventiva autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Até o início da tarde desta segunda-feira, a Polícia Federal havia cumprido 20 mandados de prisão. Entre os alvos está o próprio Marcinho VP, que já se encontra detido na Penitenciária Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.

PF investiga monopólio ilegal de internet em comunidades do Rio

Segundo a Polícia Federal, a organização investigada teria estabelecido um sistema de controle sobre a oferta de serviços de internet em regiões dominadas pelo Comando Vermelho.

As investigações apontam que o grupo atuaria nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, além de áreas dos bairros de Pavuna, Anchieta, Ricardo de Albuquerque, Costa Barros e Guadalupe, na zona norte do Rio de Janeiro.

De acordo com os investigadores, a estrutura criminosa utilizaria empresas provedoras para explorar o mercado de telecomunicações nessas localidades e lavar dinheiro obtido com as atividades ilícitas.

A suspeita é de que negócios aparentemente regulares fossem utilizados para movimentar recursos e dificultar a identificação de sua origem.

A operação também busca esclarecer a participação de pessoas físicas e jurídicas na manutenção dessa estrutura financeira.

Justiça determina bloqueio de até R$ 558 milhões

Além das prisões preventivas, o Supremo Tribunal Federal autorizou o cumprimento de 24 mandados de busca e apreensão.

As diligências ocorreram na cidade do Rio de Janeiro e em municípios da Baixada Fluminense, como Nova Iguaçu, São João de Meriti e Magé. Também foram realizadas ações em Teresópolis, na Região Serrana, e em Maricá, na Região Metropolitana.

Uma das principais medidas determinadas pela Justiça foi o bloqueio de bens e valores que podem alcançar R$ 558 milhões.

A decisão atinge 40 pessoas físicas e 42 empresas apontadas nas investigações.

Também foi determinada a suspensão das atividades econômicas de pessoas jurídicas investigadas, incluindo provedores de internet, produtoras de eventos, empresas de contabilidade e negócios suspeitos de funcionar como fachadas para operações financeiras ilegais.

Segundo a Polícia Federal, parte dos mandados de prisão foi direcionada a pessoas que já se encontram no sistema penitenciário, inclusive em unidades federais de segurança máxima.

Defesa de Márcia Nepomuceno nega envolvimento

O advogado Flávio Fernandes, responsável pela defesa de Márcia Gama Nepomuceno, negou que sua cliente tenha qualquer participação no suposto esquema investigado.

O defensor afirmou que ainda não havia conseguido acesso aos autos e, por isso, não poderia avaliar integralmente os fundamentos da prisão.

Segundo Fernandes, as suspeitas estariam relacionadas a empresas que forneceriam serviços clandestinos de televisão e internet e que supostamente transfeririam valores a familiares da empresária.

O advogado, entretanto, sustentou que Márcia desconhece essas empresas e não possui vínculos com atividades clandestinas de telecomunicações.

Ele também afirmou que os empreendimentos registrados em nome de sua cliente são legalizados, emitem notas fiscais e cumprem suas obrigações tributárias.

A posição da defesa de Lucas dos Santos Nepomuceno não havia sido divulgada nas informações disponíveis até então.

As prisões são medidas cautelares e não representam condenação dos investigados.

Operação integra ofensiva contra organizações criminosas

A Operação Backbone faz parte da Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para combater organizações criminosas com atuação no estado do Rio de Janeiro.

A iniciativa segue diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, processo que trata da atuação das forças de segurança nas comunidades fluminenses.

A investigação procura identificar a estrutura operacional e financeira utilizada para sustentar atividades ilícitas, incluindo a possível participação de empresas e intermediários.

Marcinho VP, apontado como uma das principais lideranças históricas do Comando Vermelho, completou 30 anos de prisão em 2026 e permanece custodiado no sistema penitenciário federal.

As investigações prosseguem para esclarecer as responsabilidades individuais dos envolvidos e a extensão do patrimônio relacionado ao esquema suspeito.

Da IstoÉ e Agência Brasil