Comportamento

Muita chance, pouca tradição

Quem são os atletas brasileiros cotados para subir ao pódio mas ainda distantes da torcida nacional por praticarem modalidades desconhecidas

Crédito: JONNE RORIZ/Agência Istoé

ASCENSÃO Jogadores do time masculino de pólo aquático: terceiro lugar na Liga Mundial 2015 e sob o comando do melhor técnico do mundo (Crédito: JONNE RORIZ/Agência Istoé)

PRODÍGIO Marcus Vinicius D’Almeida,  do tiro com arco: aos 17, ele já havia conquistado medalha no Pan-Americano de Toronto
PRODÍGIO Marcus Vinicius D’Almeida, do tiro com arco: aos 17, ele já havia conquistado medalha no Pan-Americano de Toronto (Crédito:Daryan Dornelles)

Quanto mais se aproxima a data da abertura oficial dos Jogos Rio-2016, 5 de agosto, mais os brasileiros ficam ansiosos para torcerem de perto por seus atletas. Ingressos para diversas modalidades estão esgotados há meses. Entre as preferidas do público nacional, estão a natação, o futebol, o vôlei, o basquete e o atletismo. Mas assim como popularidade não garante medalha, há uma série de atletas do País que ainda são desconhecidos por aqui, principalmente por atuarem em esportes de pouca tradição, e que estão muito próximos de conquistar um lugar no pódio. Um exemplo é a seleção masculina de polo aquático, que subiu de patamar no ano passado ao terminar a Liga Mundial em terceiro lugar, derrotar a campeã olímpica Croácia e alcançar resultados expressivos desde então.

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O comandante deste time é o croata Ratko Rudic, o atual melhor técnico do mundo na modalidade, que coleciona seis medalhas olímpicas, três delas de ouro e cada uma com um país diferente, incluindo a de Londres-2012, quando coordenou o grupo do próprio país-sede. A estratégia do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) é explicada por Marcus Vinícius Freire, diretor executivo de Esportes. “Tínhamos três brasileiros jogando por outras nações e outros três atletas, esses estrangeiros, jogando no Brasil e com família aqui. Todos medalhistas olímpicos ou campeões mundiais, num esporte em que sete jogadores entram na piscina. Juntamos esse grupo sob a tutela do melhor treinador do mundo e pronto”, diz o dirigente.

Outra promessa que nasce das estratégias do COB, Marcus D’Almeida é considerado um “Neymar do tiro com arco”, como define o técnico espanhol Juan Carlos Holgado, da Federação Internacional de Tiro com Arco (FITA). Em 2009, o comitê realizou reuniões com federações internacionais de todos os esportes para traçar um plano que levasse o Brasil ao top10 nos Jogos do Rio-2016. “Se vocês fizerem tudo o que eu mandar, conseguirão uma medalha em 2016” disse então o espanhol. Seis anos depois, em 2015, o carioca D’Almeida conquistou o bronze no Pan-Americano de Toronto e o ouro no Mundial da Juventude nos Estados Unidos, antes de completar dezoito anos. Atingida a maioridade em janeiro, espera-se que o garoto alcance o pódio olímpico em agosto, concretizando assim a “profecia espanhola”.

Sem o mesmo suporte, o paulistano Felipe Wu treinava tiro em casa, em um corredor de 7 metros de extensão, até setembro do ano passado. A distância era insuficiente para se preparar para a prova olímpica de pistola de ar, onde o alvo fica a 10 metros. Mas este detalhe não o impediu de ganhar o ouro nos Jogos Pan-Americanos, ano passado. No entanto, depois de começar a treinar no clube Hebraica, em São Paulo, sua capacidade aumentou exponencialmente – saltou do 56º lugar no ranking da Federação Internacional de Tiro Desportivo (ISSF) para o primeiro. Feito atingido após dois ouros em etapas do mundial deste ano.

De todos os atletas ainda ignorados pela torcida, Isaquias Queiroz, da canoagem de velocidade, foi o que acredita ter sofrido a maior afronta. Campeão mundial na Alemanha e eleito atleta do ano em 2015 pelo Prêmio Brasil Olímpico, ele ficou de fora do álbum de figurinhas com os principais esportistas da delegação brasileira. Para piorar, constavam nomes como o nadador Cesar Cielo, que não conseguiu vaga para os Jogos Rio-2016. Inconformado, Queiroz publicou um texto nas redes sociais sobre o que chamou de “gafe” e finalizou com a hashtag #esqueceramdemim. Com certeza ninguém mais esquecerá o baiano se ele atender às expectativas que o COB deposita sobre seus ombros: colocar três medalhas no peito (leia quadro).

No caminho contrário da fama, Aline Silva abandonou em 2002 um esporte de grande tradição no País, o judô, para apostar na luta olímpica. A falta de popularidade do esporte chegou a afetar seus treinos, admite a paulista. “Eu não tinha muitas meninas com quem treinar e competir.” Para resolver o problema, o marido Flávio Ramos também largou o judô para se tornar seu auxiliar técnico. Mas Aline não abandonou o sonho de se tornar ídolo nacional e, até o momento, trilha o caminho certo. São 81 medalhas em sua coleção, com destaque para a prata no Mundial do Uzbequistão-2014, o mais longe que qualquer atleta brasileiro conseguiu chegar nessa modalidade.

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