Religião

Muhammed Ali, seu último round sob os holofotes


Depois de ter eletrizado as massas e de ter seu nome conhecido no mundo inteiro, Muhammad Ali iniciará nesta sexta-feira seu repouso eterno em um cemitério americano, ao término de sua última aparição sob os holofotes.

O boxeador com passo de bailarino e punhos de aço descansará na cidade onde nasceu, Louisville (Kentucky), no coração de um país que o desprezou ou o idolatrou, de acordo com a época.

Depois de ter crescido sob a segregação racial em uma cidade onde os locais estavam proibidos a ele, era imperativo que fizesse ali seu último trajeto, tomando emprestadas as ruas batizadas com o nome que ele mesmo escolheu ao se converter ao Islã.

Uma procissão que começará às 09h00 locais (10h00 de Brasília) e que terá 30 km de percurso reunirá nas calçadas das ruas milhares de pessoas anônimas, provenientes de lugares tão distantes quanto África ou Ásia.

Elas verão a passagem de um carro fúnebre com o corpo de Ali, morto na sexta-feira passada aos 74 anos, para quem foi realizada na quinta-feira uma oração muçulmana.

Conhecido tanto quanto o ‘Happy Birthday’

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A comitiva fúnebre se dirigirá posteriormente ao cemitério Cave Hill.

Neste vasto espaço verde também está enterrada Patty Hill, que escreveu a famosa música “Happy Birthday to You” (Parabéns para Você), conhecida no mundo inteiro. Será como um aceno à universalidade do lendário boxeador.

Seu enterro, na presença dos filhos de Ali, será feita em absoluta intimidade. O ator Will Smith e o ex-campeão mundial de boxe Lennox Lewis carregarão o caixão junto a outras seis pessoas.

Will Smith encarnou Muhammad Ali no filme de Michael Mann “Ali” (2001), um papel que lhe valeu uma indicação ao Oscar de melhor ator.

Um “mecenas generoso”, cujo nome não foi revelado, prometeu cobrir de pétalas de rosas vermelhas o caminho final até o túmulo.

Mas, na prática, quem será enterrado nesta sexta-feira em Louisville?

Será o pequeno Cassius Clay, revoltado pelo roubo de sua bicicleta? O gigante do ringue, derrubando pesos pesados nos combates do século? O adversário obstinado da guerra do Vietnã? O poeta que “voa como uma borboleta (e) pica como uma abelha”? O militante atraído pela visão radical de Malcom X? Ou ainda o pacífico humanista que pregava a tolerância religiosa?

A rigor, serão todos eles em apenas um homem.

“Prisioneiro de seu corpo”

Destacar isso será a tarefa dos que, em algumas horas, pronunciarão os discursos fúnebres em homenagem a este personagem lendário, na última cerimônia de despedida.

O ex-presidente Bill Clinton será um dos oradores, assim como o comediante Billy Cristal. No auditório estarão presentes o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e outras autoridades.

Distribuídos gratuitamente, os 15.000 ingressos a este evento se esgotaram em meia hora, provocando sua venda no mercado negro.

Uma vez encerrado o parênteses das últimas homenagens públicas, Louisville e seus 600.000 habitantes recuperarão a tranquilidade e a rotina.

“Meu herói estava prisioneiro de seu corpo”, disse à AFP Fred Dillon, um taxista local, em alusão à doença de Parkinson com a qual Ali sofreu por três décadas. “Agora ele já pode voar como uma borboleta”.

seb/mf/fj/ma

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