Brasil

“Mudei de país depois de sofrer de ataques”, diz Ilona Szabó, cientista política nomeada por Sergio Moro

Crédito: Reprodução Instagram

O presidente Jair Bolsonaro mencionou, durante a coletiva sobre a saída de Sergio Moro, o nome da cientista política carioca Ilona Szabó. O agora então ex-ministro a nomeou no começo do ano passado, para o cargo de suplente no Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, um órgão composto por membros da sociedade civil.

No pronunciamento que ocorreu na última sexta feira (24), Bolsonaro disse que Ilona era “abortista” e defendia a “ideologia de gênero”. Sendo presidente do Instituto Igarapé, Szabó tem uma considerável experiência e respaldo internacional no estudo e atuação de questões de segurança pública.

Ilona Szabó deu uma entrevista a Marie Claire em que conta que precisou deixar o país após sofrer ataques e perseguições nas redes sociais.

Ao ser questiona pelo veículo sobre como recebeu as palavras de Bolsoro que disse que ela era abortista e defensora da ideologia de gênero, Szabó disse: Impressionante porque é a segunda vez que ele faz isso. Prefere citar temas que não são minhas pautas de trabalho. Também não sei o que é ideologia de gênero, gostaria que alguém me explicasse. O presidente sabe claramente quais são as minhas posições. Temos muitos pontos de diferença e o principal deles é o controle de armas. Trabalho pela regulação responsável de armas. E acho que ele faz isso, especialmente com mulheres, para jogar outros grupos que tem posições mais radicais contra a gente. Tem um grupo forte, do lobby das armas, das pessoas que acham que armar todo mundo é um caminho, ele quer juntar mais gente para me perturbar nas redes sociais. Obviamente isso não fica só nas redes sociais.

Ilona também disse se já recebeu outros ataques provocados por falas do presidente e de que maneira os ataques extrapolaram as redes sociais.

“Sou alvo de ataques há bastante tempo, mas eles ficaram piores a partir de 2017. Vi animosidades em um lugares públicos, indo pegar uma ponte aérea, eventos. Mas infelizmente no governo Bolsonaro os ataques têm outros desdobramentos. Tivemos que tomar uma série de medidas de segurança no Instituto Igarapé, mudar a sede. Fui passar um tempo fora do Brasil, fazer um fellowship. Eu já queria fazer uma reflexão, mas a questão de não conseguir fazer uma análise de risco da segurança da minha família, das pessoas que trabalham comigo, provocou essa mudança. Tive oportunidade de fazer uma pesquisa sobre o fechamento do espaço cívico no Brasil. Conversei com pessoas: jornalistas, artistas, gente havia saído do governo, para saber dos desdobramentos dos ataques online na vida pessoal delas. E são muitos. Inclusive porque tem chantagens, intimidações, outro tipo de monitoramento que nos coloca em um momento bastante crítico. Os ataques não são só online, vão para a vida pessoal, institucional e profissional”.

A cientista política se mostrou surpresa com a fala do presidente. “Fiquei supresa. Como disse, isso já teve um impacto muito forte na minha vida anteriormente. Não acho que é uma ofensa. Mas sei o que significa. Eu, minha família, minha equipe já pagamos um preço muito alto. Tudo o que eu não podia imaginar é que algo tão insignificante fosse mencionado em meio a uma pandemia, em que estão morrendo milhares de pessoas. Qual é de fato o foco de um presidente? Não posso chamar ele de liderança porque não tem competência de liderança, não está unindo o país. Para mim, o foco devia ser na pandemia, tanto salvar vidas quanto tentar uma ajuda econômica. O que está claro é que salvar vidas não é prioridade desse presidente”.

E ainda esclareceu se manteve contato com o ex-ministro Sergio Moro. “Desde o episódio da exoneração, nunca mais nos falamos. Não quer dizer que não tenhamos contribuídos para políticas públicas. Construímos diálogos com a secretaria de segurança pública, mas qualquer pessoa que eu encontrasse do governo, como me encontrei com o Santa Cruz, foram penalizados. Não havia espaço e nunca tive que fazer coisas escondida. Minha opção na sociedade é ter minha opinião e pagar o preço. Sou livre. Continuo o diálogo, menos com o executivo federal, como gostaria de fazer. Fiz com todos os governos anteriores desde que comecei a trabalhar”.

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