Comportamento

Mudança na paisagem

As históricas cabines telefônicas de Londres, no Reino Unido, estão com os dias contados. Quem precisar de um telefone público na terra da rainha vai precisar procurar — e muito

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PASSADO Quiosques vermelhos ficarão mais raros (Crédito: Istockphoto)

Se em 1999 havia dois milhões de cabines telefônicas em toda a cidade de Londres, agora são apenas 10 mil e o plano de uma nova redução permanece, já que muitas nem contam mais com o aparelho telefônico em seu interior. Em um mundo cada vez mais conectado, quem precisa fazer uma ligação com o uso de moedas ou cartão pré-pago? Se é impossível frear o futuro, também é difícil apagar e ignorar o legado de sua presença marcante pelas ruas da capital da Inglaterra.

A caixa vermelha nasceu em 1924, quando o arquiteto Sir Giles Gilbert Scott venceu o concurso dos Correios para um projeto que satisfizesse os bairros de Londres. A cor vermelha foi escolhida para que elas se destacassem na multidão, principalmente no caso de uma emergência. Viraram ponto turístico crucial da cidade e fazem até parte da cultura pop: foram representadas em ímãs de geladeira, chaveiros, desenhos de camiseta e até aparecem na contracapa do célebre disco “Ziggy Stardust”, de David Bowie.

Os turistas que forem ao Reino Unido no futuro e quiserem, de fato, fazer uma ligação, vão precisar procurar pelas “vermelhinhas”, que escasseiam na cidade. O regulador de telefonia do Reino Unido (Ofcom) afirma que manterá em funcionamento “milhares dos quiosques vermelhos apesar da queda acentuada nas ligações”. A Ofcom diz que os telefones públicos permanecem vitais em casos de emergência e devem estar em áreas onde os usuários de celulares não conseguem obter um sinal confiável ou oferecem algum perigo. Além disso, para a cabine manter-se em funcionamento, ela precisará ser usada pelo menos 52 vezes ao longo de um período de 12 meses. Se uma delas estiver em uma área identificada como um ponto crítico de acidente, não poderá ser removida — independente do número de ligações.

Tábua de salvação

“Algumas das cabines que planejamos proteger são usadas para fazer um número relativamente baixo de chamadas”, disse Selina Chadha, diretora de conectividade do Ofcom. “Mas se uma dessas ligações for de uma criança angustiada, uma vítima de acidente ou alguém que pensa em suicídio, essa linha telefônica pública pode ser uma tábua de salvação em um momento de grande necessidade.” Segundo a Ofcom, 96% dos adultos no Reino Unido já possuem um aparelho celular. As cabines que sobreviverem ao corte receberão telefones modernos até o fim de 2025. O analógico ficará de fora e tudo será definitivamente digital.

Mesmo que estejam fadadas aos museus, as cabines podem ser adotadas por comunidades locais sob um plano que permite que empresas ou organizações comprem o espaço telefônico por apenas £ 1. Para a Ofcom, “mais de 6.000 quiosques foram convertidos para diversos usos, como bibliotecas comunitárias ou para abrigar desfibriladores públicos que salvam vidas”. No Brasil, há até uma hashtag para o Instagram, #eunacabine, onde os brasileiros podem tirar suas fotos ao lado da peça turística. A melhor opção para um bom registro é a concorrida cabine na Praça do Parlamento, com vista para o Big Ben.