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Mudança climática no Butão, o único país com pegada negativa de carbono

Mudança climática no Butão, o único país com pegada negativa de carbono

Algumas pessoas passam perto de uma stupa (construção budista) na área montanhosa de Dochula, no Butão, em 24 de agosto de 2018 - AFP


O Butão é o único país do mundo com uma pegada de carbono negativa e, apesar disso, este pequeno reino localizado entre a Índia e a China não está imune às consequências da mudança climática.

Devido a suas florestas, que cobrem 72% do território, esse Estado montanhoso do tamanho da Suíça e com 800.000 habitantes absorve três vezes mais dióxido de carbono do que produz. Uma situação única no mundo.

“Nós não controlamos a mudança climática, não fizemos nada, mas pagamos um alto preço”, lamentou Tenzin Wangmo, responsável pelo meio ambiente no país.

Como no resto do mundo, as perturbações atmosféricas são uma realidade cada vez mais visível no Butão: fusão de geleiras, mudanças na agricultura, expansão de doenças transmitidas por mosquitos…

As temperaturas chegaram a 30°C, algo alarmante para os habitantes desacostumados ao calor e à umidade.


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Em regiões como Bumthang (norte), campos de arroz são vistos, um cereal que não era cultivado na área antes.

“Até o ciclo da neve mudou, antes nevava por vários dias, agora nem um dia sequer”, afirma Tenzin Wangmo.

– Florestas na Constituição –

As autoridades do Butão são muito sensíveis à importância do meio ambiente, que é um dos componentes de seu famoso índice de “Felicidade Nacional Bruto”.

A Constituição estipula que pelo menos 60% da área do Butão deve ser ocupada por florestas, o que limita as atividades agrícolas e, especialmente, um comércio de madeira potencialmente lucrativo.

“A tentação de explorar nossa riqueza florestal foi grande, mas pensamos em longo prazo”, diz Dasho Paljor Dorji, membro da Comissão Nacional do Meio Ambiente.

O país é protegido do turismo de massa com a imposição de uma taxa mínima diária de US $ 250 por pessoa na alta temporada, o que afasta muitos viajantes estrangeiros.

O décimo primeiro plano quinquenal do Butão propõe “reduzir drasticamente” as importações de combustíveis fósseis até 2020.

O reino tem apenas cem carros elétricos, mas pretende aumentar esse número e criar uma rede nacional de estações de recarga.

Em 2016, o Butão instalou suas primeiras turbinas eólicas.

Um passeio pelo tranquilo Timbu, a única capital da Ásia sem semáforos, dá uma ideia do compromisso ecológico do Butão.

Veículos de limpeza varrem as ruas com movimentos lentos e circulares e caminhões de lixo coletam lixo orgânico.

– Hidroeletricidade –

A duas horas de distância, no distrito de Punakha, algumas escavadeiras estão trabalhando em um projeto de energia hidrelétrica, um dos dez que o Estado planeja construir para manter seu equilíbrio de carbono.

A energia hidrelétrica é a principal exportação do Butão. Representa 32,4% de suas exportações e 8% do PIB, segundo o Banco Asiático de Desenvolvimento.

A maior parte dessa produção vai para a Índia, um país que financia os projetos do Butão, mas as autoridades também pretendem vender para o Bangladesh.

Esta escolha de energia, no entanto, levanta preocupações sobre a biodiversidade. Com efeito, o Butão está passando de usinas hidrelétricas ao longo de cursos d’água para barragens mais imponentes.

Para manter sua trajetória ecológica, o reino do Himalaia precisa de financiamento. Os Estados ricos prometeram mobilizar cerca de 100 bilhões de dólares por ano até 2020 para ajudar os países mais modestos a se adaptarem ao aquecimento global.

“Acredito que a contribuição do Butão para a comunidade internacional, mantendo sua pegada de carbono intacta e sua natureza tão virgem quanto possível, é formidável”, afirma Dasho Paljor Dorji, da Comissão Nacional do Meio Ambiente.

“Nossa causa vale a pena ser apoiada. Deveríamos ser recompensados proporcionalmente ou até mais”, conclui.

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