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MS: PM agride mulher algemada dentro de quartel

Crédito: Reprodução

Uma empresária de 44 anos foi agredida com tapas e socos por um oficial da Polícia Militar (PM) de Mato Grosso do Sul, em Bonito. O caso correu dentro do batalhão da cidade no fim de setembro, mas o caso só veio à tona neste fim de semana, após o vídeo com as imagens da agressão passar a circular nas redes sociais.

O vídeo mostra um PM empurrando a mulher, que está algemada, e depois desferindo socos e tapas. Outros três homens, um deles fardado, olham passivamente as agressões, que só param quando uma mulher retira o colega de cima da vítima.

A PM do Estado informou ter identificado os envolvidos e ter aberto inquérito para apurar as circunstâncias que resultaram nas agressões.

Segundo informações obtidas pelo UOL, a vítima afirmou que mora em Corumbá e estava em Bonito para um passeio em família com três de seus quatro filhos para comemorar o aniversário de 44 anos. A confusão que a levou à Polícia teve início no restaurante em frente à pousada onde ela estava hospedada.

A vítima diz que ao fazer o pedido no restaurante, a comida demorou a ficar pronta, causando desconforto em uma das filhas, que é autista. “Minha bebê se divertiu muito, e ficou com fome, pois ela ama comer arroz e feijão. Fui até ao restaurante com ela no colo e perguntei se já estava pronto. Ela [funcionária do restaurante] disse para sentar um pouco. Passou mais de uma hora e meia e minha bebê surtou, claro, pois estava com fome. Fui questionar o motivo de tanta demora e se podiam dar algo para dar bebê, que estava aos prantos”, disse a empresária, que não quis se identificar.


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A vítima ainda acrescentou que teria sido empurrada pela funcionária do restaurante com a criança de três anos no colo: “Ela não gostou [da cobrança pela refeição], me empurrou e xingou a minha bebê de ‘verme de sociedade’. Eu caí ao chão com a bebê, a deixei no chão e fui para cima dela. Foi assim que tudo começou”. A responsável por separar a briga foi uma outra filha da empresária, de 17 anos. Além das duas, um garoto de 6 também estava no local.

Ainda segundo o UOL, a mulher diz ter voltado à pousada após a confussão. A Polícia, então, teria batido na porta do quarto minutos depois. Ela diz que foi puxada pelos cabelos para fora do estabelecimento por um segundo-tenente da PM, sendo conduzida algemada em uma viatura sob alegação de desacato: “Tentei explicar o ocorrido. Esse tenente me obrigou a sair do quarto me levando pelos cabelos para fora do hotel”.

As agressões na delegacia foram feitas na frente dos filhos, e teriam sido provocadas após a mulher se desesperar ao saber que os filhos seriam levados pelo Conselho Tutelar para um abrigo.

“O tenente deu ordem para me deixar presa porque eu tinha desacatado. Ninguém estava no batalhão e o tenente que mandava. [A agressão] foi quando o conselho chegou e levou meus filhos. Eu entrei em desespero. Não me ouviram. Nem me deixaram ao menos ligar para alguém. Me senti indefesa”, afirmou.

A empresária ficou presa por 48 horas pelo suposto crime de desacato. Neste período, o marido da vítima, que é cabo da PM de Mato Grosso do Sul, ficou sabendo do ocorrido e foi ao local para resgatar os filhos e dar assistência à mulher.

Ela diz ainda que não foi possível registrar boletim de ocorrências, e nem foi ouvida pelo delegado. Também diz que não realizou exame de corpo de delito pelas agressões sofridas, pois o serviço não estava disponível no momento.

A PM do Mato Grosso do Sul, por sua vez, diz que a empresária foi presa por “desacato, danos ao patrimônio, ameaça, resistência à prisão e embriaguez”.

A ocorrência, diz a PM, teria se originado “após uma equipe policial militar ser acionada para contê-la, em um restaurante daquele município, após a mesma, supostamente, ter ameaçado atear fogo no local, ameaçado de morte os proprietários e quebrado garrafas dentro do estabelecimento comercial”.

A vítima nega as acusações da PM: “Eles não sabem o que falar. Sabem que erraram. Eu só queria um prato de comida que, aliás, já havia pagado para dar a minha filha”.

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