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MPMG denuncia Vale e TÜV SÜD por tragédia em Brumadinho

MPMG denuncia Vale e TÜV SÜD por tragédia em Brumadinho

Vista aérea da Mina do Córrego do Feijão, da mieradora Vale, onde o colapso de uma barragem de rejeitos de mineração em 25 de janeiro de 2019 deixou 270 mortos - AFP

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou nesta terça-feira (21) 16 pessoas vinculadas à mineradora Vale e a empresa alemã TÜV SÜD por homicídio doloso pelo rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão, que deixou 270 mortos em Brumadinho no ano passado.

As duas empresas também foram denunciadas por crimes ambientais.

A TÜV SÜD, encarregada das auditorias de segurança, emitiu “declarações de condição de estabilidades falsas, que tinham como objetivo servir de escudo para que atividades da Vale permanecessem sigilosamente arriscadas”, afirmou, durante coletiva de imprensa realizada em Belo Horizonte, o promotor William Garcia Pinto Coelho, do MPMG.

“Os objetivos dessas omissões era evitar impactos reputacionais negativos na Vale que pudessem gerar uma afetação no seu valor de mercado”, acrescentou.

A Agência Nacional de Mineração (ANM) havia indicado em novembro que a Vale estava ciente dos problemas no sistema de drenagem instalado sete meses antes do desastre.

As ações da Vale operavam em queda de 2,21% esta tarde na Bolsa de São Paulo, puxando para baixo o índice Ibovespa, que perdia 1,31%.

O rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, produziu em 25 de janeiro de 2019 uma imensa maré de lama, que arrastou tudo pelo caminho e deixou 270 mortos, 11 dos quais ainda estão desaparecidos.

Esta foi a segunda grande tragédia provocada pelo rompimento de um barragem de rejeitos de minério em menos de quatro anos no Brasil, depois da de Mariana, também em Minas Gerais, em novembro de 2015, que deixou 19 mortos e provocou o maior desastre ambiental da história do país. A barragem era de propriedade da Samarco, uma ‘joint venture’ da brasileira Vale e da anglo-australiana BHP.