O Ministério Público Federal (MPF) anunciou nesta quinta-feira que determinou a instauração de um inquérito civil para investigar “possíveis práticas de tortura e tratamentos desumanos ou degradantes” no reality show “Big Brother Brasil 26”.
Segundo comunicado, a investigação do MPF nasce de “relatos de episódios convulsivos vivenciados pelo participante Henri Castelli durante uma prova de resistência” do programa.
O órgão também chamou a atenção para uma dinâmica chamada “Quarto Branco”, onde participantes permaneceram confinados durante um longo período de tempo. A metodologia do quadro “guarda semelhança com práticas de tortura empregadas durante a ditadura civil-militar brasileira”, ressaltou a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, em carta enviada ao MPF.
Para o procurador regional adjunto dos Direitos do Cidadão, Julio Araujo, “as condições impostas pela produção expõem a saúde dos envolvidos a riscos desnecessários”.
Em documento enviado ao MPF, a TV Globo afirmou que as gravações contam com acompanhamento médico permanente e que Castelli foi levado a unidades de saúde externas em duas ocasiões.
O MPF, no entanto, manifestou que ” a normalização do sofrimento alheio como forma de espetáculo é incompatível com os objetivos fundamentais da República de construir uma sociedade justa e solidária”.
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