RJ: agressores de capivara são denunciados por maus-tratos e caça

Seis homens e dois adolescentes foram flagrados espancando o animal na Ilha do Governador, zona norte do Rio de Janeiro

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Homens agrediram capivara no Rio de Janeiro Foto: Reprodução

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) denunciou seis homens e dois adolescentes nesta terça-feira, 7 de maio, pelos crimes de maus-tratos com emprego de crueldade, caça ilegal, corrupção de menores e associação criminosa. O grupo é acusado de agredir brutalmente uma capivara no bairro Jardim Guanabara, na Ilha do Governador, zona norte da capital fluminense, em 21 de março. Os envolvidos já estão presos de forma preventiva.

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O que aconteceu

  • Seis homens e dois adolescentes são denunciados pelo MP-RJ por maus-tratos com crueldade, caça ilegal, corrupção de menores e associação criminosa contra uma capivara no Rio de Janeiro.
  • A agressão ao animal silvestre ocorreu em 21 de março na Ilha do Governador e foi registrada por imagens de monitoramento, mostrando extrema violência e deboche.
  • A capivara sofreu traumatismo craniano e lesão ocular severa, enquanto os acusados, já presos, foram obrigados a pagar indenização de R$ 44.632,57 por danos.

Os seis homens, identificados como Isaías Melquiades Barros da Silva, José Renato Beserra da Silva, Matheus Henrique Teodosio, Paulo Henrique Souza Santana, Pedro Eduardo Rodrigues e Wagner da Silva Bernardo, já se encontram presos preventivamente. Dois adolescentes também foram apreendidos por participação nas agressões. Até o momento, a defesa dos envolvidos não foi localizada pela reportagem.

Conforme a denúncia do MP-RJ, o grupo agiu de forma “consciente e coordenada” e com “extrema violência” contra o animal. Imagens de monitoramento foram cruciais para flagrar o espancamento, mostrando os acusados perseguindo, cercando e atacando a capivara. A promotoria aponta que pedras e pedaços de madeira foram utilizados na ação criminosa.

Como o crime foi descoberto e o animal resgatado?

Um laudo veterinário anexado aos autos do processo detalhou a gravidade das agressões. O documento atesta que o animal sofreu lesões graves, incluindo traumatismo craniano e uma severa lesão ocular. O resgate da capivara foi efetuado por agentes da Patrulha Ambiental da Prefeitura. O animal recebeu os primeiros socorros no local e foi posteriormente encaminhado para a Clínica de Reabilitação de Animais Silvestres, onde recebe atendimento especializado.

O Ministério Público enfatizou o comportamento cruel dos agressores, que filmaram a ação e exibiram deboche enquanto a capivara era submetida a intenso sofrimento. A promotoria também salientou que a agressão ocorreu à noite e sem autorização, caracterizando o crime de caça ilegal de animal silvestre.

Quais as consequências para os envolvidos?

Além dos maus-tratos ao animal, as pedras arremessadas pelo grupo também causaram danos a veículos estacionados na região, configurando prejuízo ao patrimônio público e privado, conforme o MP. A presença de capivaras em áreas urbanas do Brasil é comum, o que, infelizmente, eleva a exposição desses animais a riscos e maus-tratos. A legislação brasileira é clara ao prever detenção e multa para quem comete crimes de maus-tratos contra animais silvestres, reforçando a importância da proteção da fauna.

Na esfera cível, o Núcleo de Proteção e Defesa dos Animais (NPDA) do MP-RJ determinou um valor de R$ 44.632,57. Este montante deverá ser pago solidariamente pelos acusados como reparação pelos danos ambientais, morais coletivos e materiais provocados pela agressão.

O cálculo do valor foi baseado em um laudo técnico de valoração de danos à fauna, conhecido como Quanti-Fauna. Os recursos arrecadados serão direcionados para instituições especializadas no atendimento veterinário e recuperação do animal, além de contribuírem para o Fundo Estadual de Meio Ambiente.

Com informações do Estadão Conteúdo