MP recolhe documentos no Corinthians para apurar gastos de Andrés e Duílio

O promotor Cássio Conserino, do Ministério Público de São Paulo, esteve no Parque São Jorge nesta quinta-feira, para recolher documentos pertinentes à investigação que apura gastos indevidos de Andrés Sanchez e Duílio Monteiro Alves, ex-presidentes do Corinthians. Os dois são réus por apropriação indébita, após o surgimento de evidencias de uso inapropriado de cartões corporativos e recursos do cube.

A defesa de Andrés, liderada pelo advogado Fernando José da Costa, diz que o dirigente é inocente e vítima de “medidas desproporcionais”. Duílio, representado por Lucas Lopes Knupp, afirma ter “confiança no Poder Judiciário e no devido processo legal, certos de que todos os fatos serão devidamente esclarecidos ao longo da tramitação do processo”.

Durante o período em que esteve na sede social corintiana, Conserino esteve acompanhado do presidente Osmar Stábile e do direto jurídico Pedro Luis Soares.

“Nós entregamos tudo que está disponível, deixamos à disposição do Ministério Público”, disse Soares em contato com a imprensa presente no local. “Foi feita a visitação do local de guarda da documentação, foi feita uma explanação do funcionamento de todo esse mecanismo, da época e do que a gente tem conhecimento até hoje. Está bem clara nossa transparência e colaboração total.”

Conserino reiterou que o clube colaborou durante a entrega dos documentos. Também afirmou que enviou um ofício ao diretor de tecnologia Marcelo Munhões, pedindo um registros digitais do período de 2018 a 2025 para analisar a aprovação das contas de Andrés, Duílio e também Augusto Melo, outro ex-presidente investigado.

“Enviamos um ofício ao gestor do TI pedindou um backup, de 2018 a 2025, de todas as transações que ornamentaram a aprovação dos três últimos presidentes. Solicitamos por escrito essa perícia que será disponibilizada ao MP tão logo seja feita. Na ata, pedimos essa prova tecnológica para verificar a integridade da documentação entregue”, explicou.

A semana tem sido de tensão para o Corinthians. Também nesta quarta-feira, Osmar Stábile protocolou um requerimento na Comissão de Ética para pedir o afastamento de Romeu Tuma Júnior, presidente da Conselho Deliberativo, conforme informado inicialmente pela Gazeta Esportiva e confirmado pelo Estadão.

GUERRA NOS BASTIDORES

O presidente corintiano argumenta que Tuma está interferindo na gestão. Além disso, afirma ter sido coagido na última sexta-feira, durante um jantar no Parque São Jorge. A briga se tornou público na segunda, durante audiência pública para discutir a reforma do estatuto do clube.

“Na sexta-feira, enquanto eu jantava, ele (Tuma) disse assim: ‘Ou você faz o que eu quero ou eu vou te f… ‘”, relatou Stábile durante o encontro. “Não posso administrar o Corinthians com pessoas me tratando dessa forma. Tenho testemunhas aqui sobre isso além de outras interferências. Trago aqui documentos sobre ele me pedindo atualizações sobre o que faço. Não posso aceitar mais isso.”

Em seguida, Stábile trouxe Pedro Luís Soares, diretor jurídico do Corinthians, que confirmou a versão do presidente. Ao pedir a palavra, Tuma destacou que a reunião tinha como intuito votar a reforma do estatuto e não fazer acusações, encerrando a reunião. Conselheiros discutiram em tom mais elevado e chegaram a trocar empurrões.