MP da grilagem

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TERRAS PÚBLICAS O secretário de Assuntos Fundiários, Nabhan Garcia, quer legalizar terras da União invadidas por posseiros (Crédito: Divulgação)

O governo está pressionando o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, para que coloque em votação a MP 910, conhecida como a “MP da Grilagem” de terras públicas. Essa Medida Provisória objetiva regularizar terras da União que estão ocupadas por grileiros desde 2012, principalmente na Amazônia, onde posseiros invadiram as florestas, derrubaram as matas, tocaram fogo em tudo e depois as ocuparam para o plantio de pastagens ilegais e manejo
de gado. Essas invasões ocorrem em parques nacionais e até em terras indígenas. Agora, Bolsonaro quer legalizar as invasões e passar as propriedades para os nomes dos grileiros, sob a coordenação de Nabhan Garcia, secretário de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura. Nabhan é aquele da UDR que mandava bala em sem-terras.

Caduca

Se a MP não for votada até o próximo dia 19, a medida caduca e não tem grilagem oficializada. Por isso, Maia resiste em colocá-la em votação, mas Bolsonaro insiste na sua aprovação, inclusive com campanha nas mídias sociais. Nabhan acusa Maia de segurar a MP por motivos políticos. Maia chama Nabhan de mentiroso. Nabhan não é flor que se cheire.

Desmata

O fato é que essa discussão ocorre em meio a um aumento monumental no desmatamento na Amazônia. Segundo
o Inpe, de janeiro a abril deste ano, em comparação com igual período de 2019, a derrubada de florestas na região atingiu 1.202 km2, com um aumento de 55%. Bolsonaro não é uma ameaça só à expansão da Covid, mas também ao meio ambiente.

Justiça rejeita Wajngarten

Pablo Jacob

A juíza da 3ª Vara Criminal Federal de São Paulo Flavia Serizawa e Silva rejeitou a queixa crime do chefe da Secom, Fábio Wajngarten, contra o diretor de redação da ISTOÉ, Germano Oliveira, acusado por ele de calúnia, injúria e difamação. A defesa da ISTOÉ esteve a cargo dos advogados André Fini e Claudio Pimentel. Wajngarten foi criticado esta semana por divulgar propaganda com o lema nazista “o trabalho liberta”.

Rápidas

* Para surpresa geral, o MDB é o maior partido brasileiro em termos de filiações, segundo dados do TSE. O partido de Temer tem 2,1 milhões de filiados. O segundo ainda é o PT, com 1,5 milhão de filiados. E o terceiro é o PSDB, com 1,3 milhão de eleitores inscritos.

* O menor é o PPL, com 60 filiados. O que mais está perdendo filiados é o Novo, que caiu de 48 mil para 42 mil. O PSL é o que mais está ganhando, crescendo de 344 mil para 435 mil filiados, depois que Bolsonaro saiu.

* A produção de veículos caiu 99% em abril, o pior resultado desde 1957, quando as montadoras começaram a produção de carros no Brasil. Ao invés de socorrer o setor, Bolsonaro levou os executivos em marcha até o STF.

* Como se o presidenete do Supremo, Dias Toffoli, tivesse alguma coisa a ver com a produção industrial. O ministro Paulo Guedes, que deveria formular a política para o setor, preferiu marchar também. O País está sem rumo.

Retrato falado

“Nosso problema não é um churrasco fake. É um presidente fake” (Crédito:Roque de Sá/Agência Senado)
Roque de Sá/Agência Senado

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) não se conteve ao acompanhar o desenrolar da “molecagem irresponsável” feita pelo presidente Bolsonaro no último final de semana. Depois de dizer que realizaria um churrasco para 30 amigos no Palácio do Alvorada no último sábado, 9, horrorizando o país, Bolsonaro disse que tudo não passava de uma notícia fake. Para o senador, não foi apenas pela farsa em torno do churrasco. “Não é hora de piadas ou desvarios”, disse o senador.

A volta da CPMF

O ministro Paulo Guedes (Economia) não se cansa de tentar emplacar novo aumento de impostos. Desde que assumiu, vem falando em reintroduzir a famigerada CPMF (o imposto sobre qualquer movimentação financeira). Seu secretário da Receita do início do governo, Marcos Cintra, caiu exatamente por conta disso. Depois, Guedes voltou a dizer que implantaria o imposto do cheque, mas o presidente lhe deu um chega pra lá e proibiu a medida, por ser impopular. Agora, em meio à pandemia, em que o Brasil pode chegar a 20 milhões de desempregados e muitas empresas quebrarão, Guedes volta a desenterrar o assunto, que assombra a todos.

Toma lá dá cá

Delegado Waldir,Deputado (PSL-GO) (Crédito: Pedro Ladeira)

O presidente oferece cargos ao Centrão para evitar o impeachment?
Bolsonaro loteou os órgãos nos Estados logo no início do governo. O leilão foi feito entre os deputados, mas neste momento ele atrai os líderes partidários e se ajoelha ao Centrão para salvar o mandado.

O que o senhor quis dizer ao mencionar que ele oferecia cargos aos índios e agora os oferece aos caciques?
Depois de lotear as superintendências nos Estados aos índios — deputados e senadores —, agora Bolsonaro dá os cargos aos caciques, como Jefferson, Kassab, Valdemar, Ciro, Baleia e outros.

É o ápice do toma lá dá cá.Por que o senhor disse que deixou de ser gado do presidente?
Eu também já comi capim. Já fui gado. Mas não se pode persistir no erro.

Não passará

Mas não é só o presidente Bolsonaro que não quer a volta da CPMF. Os empresários e os trabalhadores também não a desejam. O Congresso, menos ainda. Rodrigo Maia já disse que a medida não passará na Câmara. Paulo Guedes deveria saber que ninguém aguenta mais o custo Brasil. Esquece isso, ministro.

Turismo bilionário

Bolsonaro editou na sexta-feira, 8, mais uma MP para aliviar o caixa das empresas de turismo, colocando R$ 5 bilhões à disposição do setor. A fortuna será administrada pelo ministro Marcelo Álvaro Antonio (Turismo), acusado de corrupção ao desviar dinheiro público na campanha de 2018. Apesar de denunciado à Justiça, Antônio está prestigiado.

Geraldo Magela/Agencia Senado

Nova Embratur

O dinheiro passará também pelas mãos de Gilson Machado Neto, escolhido por Bolsonaro para
a nova Embratur (mudou para Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo). A Embratur tinha um orçamento de R$ 49 milhões e agora pulou para R$ 600 milhões. Tudo para melhorar a imagem do presidente no exterior, onde sua política sanitária é vista como genocida.

Expulso do paraíso

Marcos Corrêa/PR

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, finalmente foi expulso do Novo, o partido criado por João Amoêdo para ser uma agremiação séria. Tido como alguém que arranhava a imagem da legenda, sobretudo por sua postura negligente em relação à Amazônia, Salles foi posto para fora. Deve ir para o Aliança.

 


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