Movimento Cinco Estrelas tenta dialogar com um PD derrotado

Movimento Cinco Estrelas tenta dialogar com um PD derrotado

O Movimento Cinco Estrelas começou um difícil diálogo com o derrotado Partido Democrático a fim de acabar com o bloqueio vivido na Itália, após a vitória do voto antissistema nas eleições gerais de domingo.

A chamada “Terceira República” da Itália, sem os políticos de referência do século XX e com novas cores, na qual um em cada dois italianos votou em partidos antissistema, está buscando uma saída que garanta estabilidade e segurança à terceira economia da zona do euro.

Após obter um surpreendente resultado, os desobedientes do M5E, com 32,7% dos eleitores a seu favor e quase 11 milhões de votos, exigem governar a Itália e, para isso, precisam se aliar com uma força menor que lhes garanta a maioria necessária no Parlamento.

Essa força menor hoje em dia é a do ex-governante PD, que após uma queda para menos de 20% está se despedaçando diante da possibilidade de chegar a um acordo com os inimigos do passado.

“Juntos temos a chance de mudar este país”, lançou o jovem líder do M5E, Luigi Di Maio, em uma carta publicada nesta quarta-feira pelo jornal La Reppublica, na qual resume os pontos sobre os quais devem entrar em acordo: acabar com o esbanjamento, e diminuir os impostos e o desemprego juvenil.

“Não foi um voto ideológico, nem de protesto. Foi um voto por um programa, com pontos específicos”, lembrou Di Maio, rejeitando o que chamou de “teatral” da política italiana com acordos secretos e divisão de cargos.

“Vamos formar o governo com os que estão dispostos a realizar esse programa”, reiterou.

A proposta está aniquilando o Partido Democrático, que perdeu 2,5 milhões de votos dos seis milhões em cinco anos, e que, segundo as estatísticas, 14% de seus eleitores votaram no domingo pelo M5E.

Pesos-pesados do PD se pronunciaram a favor de uma aproximação, entre eles Luigi Zanda, porta-voz no Senado dos democráticos.

“Muitas coisas me separam do M5E. Mas devemos falar com todos e com mais razão com um partido que teve um consenso tão amplo”, explicou.

A guerra interna no PD não parece parar. Um setor do partido pede que seu atual líder, Matteo Renzi, o grande derrotado, desapareça como secretário-geral e deixe e impedir um diálogo fundamental para garantir a estabilidade do país.