Motoristas de táxi organizam greve em cidades na Itália

ROMA, 6 NOV (ANSA) – A Itália foi palco nesta sexta-feira (6) de uma greve nacional de motoristas de táxi convocada por sindicatos. Os taxistas protestaram contra as restrições impostas pelo governo para conter a segunda onda do coronavírus Sars-CoV-2.   

De acordo com os sindicalistas da categoria, a adesão ao protesto em Roma foi praticamente total. Os motoristas se reuniram na frente do Ministério da Fazenda.   

“Não há carros brancos na estação Termini e em torno de Roma, assim como em outras cidades. Por enquanto, a adesão é praticamente total. Os colegas sentem a forte crise bater na pele. Pedimos apoio para um serviço que nunca deixou de garantir a mobilidade mesmo quando tudo estava parado”, disseram os organizadores do protesto.   

Na cidade de Milão, Emilio Boccalini, presidente da Taxiblu, uma das mais importantes da capital da Lombardia, confirmou que a greve recebeu apoio de 100% da categoria.   

“O decreto não permite manifestações e, por isso, a maioria dos colegas está em casa e não, como é habitual, nos pontos. Só circulam táxis com placa especial, que prestam serviço social e transportam doentes que não são obrigados a pagar”, disse Boccalini.   

O taxista ainda afirmou que os trabalhadores estão “parados há meses”. Além disso, alertou para a possibilidade da categoria “desaparecer” em decorrência da crise.   

Em Gênova, a greve aconteceu na Piazza De Ferrari. Valter Centanaro, presidente da Cooperativa Radio Taxi Genova, afirmou que as receitas “caíram drasticamente”. Ele contou ainda que o serviço diminuiu ao menos 90% durante a quarentena.   

“Fomos deixados sozinhos pelo governo, ao qual pedimos respostas e apoios, como formas de incentivos ao uso de táxis, que prestaram um verdadeiro serviço de utilidade pública”, afirmou Centanaro.   

Os taxistas da Sardenha também aderiram ao movimento. Eles usaram seus carros para bloquear a entrada do conselho regional, que se localiza na via Roma.   

Giovanni Frongia, que trabalha como taxista em Cagliari desde 1994, afirmou que os últimos decretos do governo italiano para combater o coronavírus “cortaram as pernas” da categoria.   

“Os dois últimos decretos cortaram nossas pernas, a categoria continuará agitada até termos respostas do ministro dos Transportes. Além disso, os mil euros previstos no decreto Ristori foram insuficientes”, disse Frongia.   

Em outubro, o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, anunciou um pacote de medidas, avaliado em mais de 5 bilhões de euros, para apoiar as empresas atingidas pelas restrições para tentar conter a pandemia.   

Os motoristas de táxi da Itália receberam um subsídio de mil euros, já que a categoria está incluída entre os trabalhadores do turismo.   

No total, 824.879 pessoas já se infectaram pelo coronavírus na Itália, enquanto o número de vítimas está em 40.192. (ANSA).