Motoboy: escravo moderno

Crédito: Reprodução/ GNews

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A greve dos motoboys é mais que uma parada de entregadores. Ela representa a luta do homem contra a máquina e da inteligência natural contra a artificial. Uma pandemia global, que obriga as pessoas a ficar fechadas em casa, é o terreno perfeito para testar a imoralidade dos aplicativos.

Julho começou brabo. Por volta das 11 horas, na Avenida da Consolação, cerca de mil motoboys, de acordo estimativa do sindicato começavam a se juntar. Mas enquanto aqueles 1000 “que carregam o Brasil nas costas” gastavam seu combustível entregando protesto, os aplicativos continuavam chamando outros 200 mil para as entregas.

Uber Eats Sinhô José: Sushi. IFood Seu Fernando: pizza. Rappi Dona Antónia: Fogo de Chão. E dona Luíza Picanha, seu Randolfo contra filé, Vila Madalena Rodízio. Jardins Droga, ZL camisinha. Os aplicativos estão escravizando os humanos e pegando todo o dinheiro.

Há uma nova escravatura sem cor a caminho. Enquanto a gente derruba estátuas com ruído, silenciosamente os novos produtos globais do capitalismo, muitas vezes sem qualquer legislação, se apoderam de lugares chaves na cadeia produtiva e do tecido social.

iFood, Uber Eats e Rappi se aproveitaram das circunstâncias e, um a um, sem aviso, copiando a concorrência, aumentaram as taxas de entrega de comida e quem paga a fatura são os moços da mochila. Os trabalhadores com cota no sindicato defendem a aprovação do projeto Lei 578, de 2019, que regulamenta uma lei federal e exige que empresas paguem 30% de adicional de periculosidade. Mas não tá fácil.

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Um estudo revelou que o aumento de jornada — por via do Covid — resultou em menos rendimento para o entregador. 52% dos motoboys que passaram a trabalhar mais horas tiveram quebra nos ganhos e dos que mantiveram a carga horária, 54% passou a receber menos.

Mais trabalho equivaleu a menos dinheiro. Enquanto o aumento das entregas e dos montantes envolvidos na operação cresceu quase exponencialmente. Quem pegou o dinheiro foi a plataforma, o aplicativo, a inteligência artificial, o investidor do vale do silício.

Para o povo que entrega a conta é fácil: O aluguel de uma moto em São Paulo é de R$ 602 por mês e em média para ganhar R$ 3 mil no mesmo período, é preciso trabalhas nas 7 às 23. E pagar as contas e gasolina. Sobra pouco pro motoboy.

A escravatura pelos aplicativos merece mais atenção. Os motoboys também não estão conseguindo respirar.

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Sobre o autor

José Manuel Diogo é autor, colunista, empreendedor e key note speaker; especialista internacional em media intelligence,  gestão de informações, comunicação estratégica e lobby. Diretor do Global Media Group e membro do Observatório Político Português e da Câmara de Comércio e Indústria Luso Brasileira. Colunista regular na imprensa portuguesa há mais de 15 anos, mantém coluna no Jornal de Notícias e no Diário de Coimbra. É ainda autor do blog espumadosdias.com. Pai de dois filhos, vive sempre com um pé em cada lado do oceano Atlântico, entre São Paulo e Lisboa, Luanda, Londres e Amsterdã.


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