Cultura

Mostra revela o talento como cineasta de Vladimir Herzog

O nome do jornalista Vladimir Herzog (1937-1975) normalmente é associado a um dos mais trágicos fatos ocorridos durante a ditadura militar: preso sob a acusação de ter ligação com o Partido Comunista, ele foi encontrado morto em sua cela, por enforcamento. A alegação foi suicídio, mas, três anos depois, o governo federal foi responsabilizado pela sua morte.

À época, Herzog chefiava o departamento de telejornalismo da TV Cultura e desenvolvia uma produção cinematográfica com narrativa documental e preocupações sociais. É justamente essa faceta que inspira a 46ª mostra da série Ocupação, realizada em parceria entre os institutos Vladimir Herzog e Itaú Cultural, que abriga a exposição.

mostra traz fotografias cujos enquadramentos revelam um olhar particular de Vlado, como era conhecido, para objetos, pessoas e lugares. Outro item é uma peça de teatro em áudio em que ele é um dos atores e suas respostas com desenhos esquemáticos e análises de filmes para uma prova de ingresso em um Curso de Cinema com o documentarista sueco Arne Sucksdorff (1917-2001). Tais aulas resultaram na realização do primeiro e único minidocumentário de Herzog, Marimbás, de 1960.

Colaborador da Cinemateca Brasileira, o jornalista teve papel importante no evento Caravanas Farkas, série de documentários de curta e média-metragem com teor humanista, idealizada e coordenada pelo fotógrafo Thomaz Farkas, nos anos 1960. E, quando foi morto, em 1975, Herzog trabalhava na pesquisa e elaboração do roteiro de um filme sobre Antônio Conselheiro e o conflito de Canudos, na Bahia.

OCUPAÇÃO VLADIMIR HERZOG

Itaú Cultural. Av. Paulista, 149. Tel.: 2168-1777. 3ª a 6ª, 9h/20h. Sáb. e dom., 11h/20h.

Abertura 14/8. Até 20/10