O calendário cultural da Zona Sul de São Paulo ganha um marco de resistência e criatividade neste fim de fevereiro. A Fundação Julita recebe a Mostra Artística Periférica (MAP), evento que apresenta os resultados finais de meses de pesquisa e experimentação de artistas locais. A iniciativa faz parte do projeto Formações Artísticas Periféricas, realizado pelo Instituto Arte na Escola, e busca consolidar a periferia como um polo produtor de cultura de alta qualidade e impacto social.
Foco no território: todos os artistas da mostra e da programação cultural são moradores da Zona Sul, reforçando a valorização da identidade local.
Processo criativo: os residentes Mariane Nunes, Leandro Celestino e Armr’Ore Erormray foram selecionados entre mais de 100 inscritos da região.
Programação diversificada: além das exposições, o evento gratuito contará com DJ, shows, oficinas e atividades para crianças e jovens.
Apoio institucional: o projeto é viabilizado pelo PROMAC, com patrocínio da VR e Cyrela, unindo o setor público e privado no fomento à arte periférica.
Destaques da mostra
A MAP apresenta três trabalhos inéditos que utilizam linguagens distintas para provocar o público e refletir sobre a realidade cotidiana.
Metamorfose e Gênero
O artista Armr’Ore Erormray, em parceria com Alexys Agosto, apresenta uma performance cênica que explora o corpo como território de transformação. Utilizando cenografia inovadora em bioplástico, a obra aborda temas como transgeneridade e transição, buscando gerar força e reflexão nos espectadores.
Desigualdade em escala
Leandro Celestino propõe uma reflexão visual através de uma instalação que mescla pintura e escultura em MDF. O trabalho utiliza miniaturas para tratar da desigualdade social e da realidade estrutural das periferias, desafiando o silêncio do espaço amplo para capturar a atenção do visitante.
Mandingas e memória analógica
A cineasta Mariane Nunes traz a série fotográfica experimental “Mandingas do Cotidiano”. Utilizando processos analógicos raros, como a fitotipia, Mariane investiga a conexão da população negra com sua ancestralidade, valorizando o “erro” e a textura única das imagens para criar um senso de pertencimento territorial.
“O impacto social do projeto está em fortalecer vínculos com o território e criar condições para que artistas desenvolvam seus processos com tempo e recursos.”
Pedro Ermel, supervisor do projeto Formações Artísticas Periféricas.
Serviço
Mostra Artística Periférica (MAP)
Data: 27 e 28 de fevereiro
Local: Fundação Julita – Zona Sul de São Paulo
Entrada gratuita