No próximo dia 28 de fevereiro, a rua Augusta será palco de uma das celebrações mais genuínas do audiovisual paulistano. O CineSesc recebe a Mostra de Encerramento do É Nóis na Fita 2025, um evento que não apenas exibe filmes, mas coroa um processo de inclusão cultural que já dura 12 anos. Sob a coordenação da renomada atriz e diretora Eliana Fonseca, o projeto reafirma sua missão de democratizar o acesso às ferramentas profissionais de cinema para jovens de baixa renda de todas as regiões de São Paulo.
O evento é um divisor de águas: ao mesmo tempo em que encerra o ciclo formativo de 2025, já prepara o terreno para as turmas de 2026, que iniciam em março. A mostra é híbrida, contando com exibições presenciais no CineSesc e uma plataforma online que leva a produção periférica para todo o Brasil.
Números que impressionam: Mais de 2.500 alunos atendidos e 130 curtas realizados ao longo da trajetória do projeto.
Diversidade de Gêneros: A safra de 2025 traz comédia, suspense, drama e documentário, refletindo temas como identidade, sonhos e desigualdades sociais.
Acessibilidade Plena: O evento presencial conta com Legenda Descritiva (LSE) e Libras ao vivo; a mostra online oferece audiodescrição em produções selecionadas.
Ponte para o Mercado: As aulas, ministradas por profissionais atuantes, oferecem aos jovens o domínio integral da produção — do roteiro à pós-produção.
Do roteiro à tela: a jornada criativa
O diferencial do É Nóis na Fita reside na sua metodologia imersiva. Durante três meses, aos fins de semana, os jovens não são apenas espectadores, mas realizadores. O resultado deste ciclo são oito curtas de ficção e três documentários que transitam entre o realismo e a distopia.
Um dos destaques da mostra é o curta “1s44k”, que utiliza a ficção científica para abordar a repressão e o desejo de liberdade através de um androide que sonha em conhecer o mar. Já no campo do documentário, “Nuff Respect: Conexão Zona Norte” registra a vibrante cultura do sound system e do reggae como forma de expressão comunitária no extremo norte da capital.
Inclusão e patrocínio
A viabilidade de um projeto desta magnitude — totalmente gratuito para os alunos — sustenta-se em parcerias sólidas. O Bradesco, parceiro desde a fundação, e a chegada das Lojas Torra garantem que os jovens tenham acesso a equipamentos de ponta e infraestrutura. A edição de 2025 também contou com recursos da PNAB Spcine e o apoio institucional da Escola da Cidade, reforçando a rede de proteção e fomento ao cinema nacional.
“O cinema é uma ferramenta de poder. Quando damos a câmera para o jovem da periferia, ele deixa de ser o objeto do filme e passa a ser o autor da sua própria história.”
Eliana Fonseca, coordenadora do projeto É Nóis na Fita.