A Rússia acusou, nesta quinta-feira (19), o Exército israelense de ter realizado um ataque “direcionado”, após o bombardeio que feriu dois jornalistas da emissora RT no sul do Líbano, onde Israel conduz uma ampla operação militar.
“O ataque contra os jornalistas foi realizado de maneira deliberada e direcionada”, afirmou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, em um comunicado, ressaltando que os repórteres estavam “claramente” identificados e que não havia qualquer instalação militar nas proximidades.
“Consideramos esse tipo de ato por parte de Israel e de seu Exército uma grave violação do direito internacional”, declarou, acrescentando que o embaixador de Israel em Moscou será convocado “em breve”.
Um vídeo publicado pela RT mostra um jornalista desta emissora russa, Steve Sweeney, vestindo um colete à prova de balas com a inscrição “Press” e se dirigindo à câmera, momentos antes de uma explosão a poucos metros dele.
A mensagem que acompanha o vídeo indica que as imagens mostram o momento em que “um míssil israelense caiu perto dos jornalistas da RT”, ferindo os dois.
Zakharova havia afirmado anteriormente pelo Telegram que “no contexto do assassinato de 200 jornalistas em Gaza, não se pode qualificar o que aconteceu hoje como acidental”.
Segundo a Ruptly, filial da RT, os jornalistas estavam no sul do Líbano, onde Israel, em guerra contra o Hezbollah pró-iraniano, realiza uma ampla operação militar para criar uma “zona-tampão”.
A embaixada da Rússia no Líbano condenou o incidente em um comunicado e solicitou “uma investigação adequada”.
Por sua vez, o Exército israelense afirmou que “não tem como alvo civis ou jornalistas” e que pediu a evacuação da zona onde a equipe da RT estava “com antecedência suficiente” antes de lançar seus ataques.
“Atacar repórteres claramente identificados como imprensa constitui uma violação do direito internacional”, reagiu o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) em uma nota.
Cento e vinte e nove jornalistas e profissionais da imprensa foram assassinados durante o ano de 2025 em todo o mundo, segundo o CPJ, que atribui dois terços dos casos a Israel, que nega a afirmação.
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