Os mosaicos do ex-jesuíta Marko Rupnik, que enfrenta julgamento canônico por suposto abuso sexual e psicológico de várias freiras, serão cobertos na Basílica de Nossa Senhora do Rosário, no Santuário de Lourdes. A medida ocorrerá durante a visita do papa Leão XIV à cidade francesa, prevista para o fim de setembro, atendendo a pedidos de vítimas e visitantes. A decisão visa criar um ambiente festivo e ocultar obras que agora são “indissociáveis da tragédia dos abusos sexuais de Rupnik”, afirmou o reitor do santuário.
Os mosaicos do ex-jesuíta Marko Rupnik, em julgamento por suposto abuso, serão cobertos na Basílica de Lourdes, na França.
- A ação acontece durante a visita do papa Leão XIV e atende a solicitações de vítimas e peregrinos que se sentem desconfortáveis.
- A decisão foi conjunta entre o reitor do santuário, padre Michel Daubanes, e o bispo de Tarbes e Lourdes, dom Jean-Marc Micas.
A determinação de cobrir as obras de Rupnik, criadas em 2007 e dedicadas à memória de São João Paulo II, surgiu em resposta às manifestações de peregrinos que relataram sofrimento ao se depararem com elas. As denúncias contra o ex-jesuíta reacenderam debates sobre a conduta de religiosos e a postura da Igreja frente aos abusos sexuais, um tema frequentemente abordado em viagens apostólicas papais.
De acordo com o jornal católico francês La Vie, que detalhou os preparativos para a viagem de Leão XIV à França, a decisão foi tomada em comum acordo entre o reitor do santuário, padre Michel Daubanes, e o bispo de Tarbes e Lourdes, dom Jean-Marc Micas. Daubanes explicou que o objetivo é duplo: “criar um ambiente festivo e, ao mesmo tempo, ocultar obras que agora são indissociáveis da tragédia dos abusos sexuais de Rupnik”.
Quais as implicações para o santuário de Lourdes?
A Basílica de Nossa Senhora do Rosário, onde os mosaicos da fachada representam cenas da vida de Jesus, se tornou palco de críticas após as denúncias contra o artista. O desconforto dos fiéis intensificou a pressão por uma solução, levando a uma reavaliação da presença das obras de Rupnik em um local de peregrinação tão significativo. A polêmica gerou também reflexões sobre a necessidade de maior transparência e ação em casos de abusos clericais.
O bispo Micas já havia iniciado um processo de reflexão sobre o futuro das peças, criando, junto com a direção do santuário, uma comissão entre maio e outubro de 2023 para avaliar a questão. Em julho de 2024, Micas afirmou que a remoção definitiva dos mosaicos não havia sido decidida, para evitar o aumento das tensões enquanto a comissão prosseguia seus trabalhos. Na ocasião, também foi retirada a iluminação especial que destacava as obras durante as peregrinações noturnas.
Em março de 2025, o bispo determinou uma nova medida: os mosaicos localizados acima da entrada principal e das duas portas laterais passaram a ser mantidos no escuro. A comissão responsável pela análise do destino das obras ainda não concluiu suas deliberações. Enquanto isso, todos os mosaicos de Rupnik permanecerão cobertos apenas durante o período da visita papal. Da IstoÉ com ANSA.