México tem ao menos 73 mortos após assassinato de chefe de cartel

El Mencho, um dos narcotraficantes mais procurados pelos EUA, foi alvo de operação do Exército. Incêndios e confrontos se espalharam por 20 estados

México tem ao menos 73 mortos após assassinato de chefe de cartel

O México vive uma onda de violência após a morte de um dos chefes do narcotráfico mais procurados pelos Estados Unidos. O Exército confirmou no domingo, 22, o resultado da operação mirando o líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho.

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Pelo menos 73 pessoas já morreram, incluindo 25 membros da Guarda Nacional e 34 suspeitos, segundo autoridades. Foi ativado o “código vermelho” para proteger a população diante da reação de grupos criminosos.

Os EUA ofereciam uma recompensa de 15 milhões de dólares (R$ 77 milhões) por Oseguera, cujo comando transformou o CJNG em uma das organizações criminosas mais poderosas e violentas do país.

Segundo a corporação, o narcotraficante, de 56 anos, ficou ferido em uma operação realizada na cidade de Tapalpa, no estado de Jalisco, e morreu “durante seu traslado aéreo para a Cidade do México”.

Oito suspeitos de serem pistoleiros do cartel foram mortos na operação das forças especiais para capturá-lo, e três soldados ficaram feridos, disse o secretário de Defesa, Ricardo Trevilla.

A ação gerou pânico entre moradores e turistas, que se esconderam dos confrontos entre oficiais e membros do cartel.

“Eu pensei que eles iam nos sequestrar. Corri para uma barraca de tacos para me abrigar com as pessoas que estavam lá”, disse María Medina, que trabalha em um posto de gasolina incendiado no domingo.

Atmosfera de medo

Antes de a morte do chefe do cartel ser confirmada, criminosos começaram a reação violenta. Até esta segunda-feira, carteis bloquearam diversas vias e incendiaram veículos em 20 estados ao redor do país. Houve confrontos com forças federais de segurança.

O “código vermelho” tem como objetivo conter os riscos à população em casos de bloqueios, confrontos armados ou queima de veículos. O transporte público foi suspenso em algumas áreas.

O governador de Jalisco, Pablo Lemus, confirmou que a operação resultou em “confrontos na região” e que, como reação, “em diferentes pontos de Jalisco indivíduos queimaram e atravessaram veículos para impedir a ação das autoridades”.

As ruas de Guadalajara, capital de Jalisco, estavam quase desertas na segunda-feira. O governo enviou 2,5 mil soldados para o estado, programado para sediar quatro jogos da Copa do Mundo deste ano.

Escolas, lojas, farmácias e postos de gasolina permaneceram fechados. Todos os eventos que envolviam grandes multidões foram cancelados, e o transporte público foi suspenso.

A violência se espalhou também para o vizinho estado de Michoacán, onde o cartel de Oseguera trava uma guerra contra uma coalizão rival de grupos criminosos.

Disparos em aeroporto

No Aeroporto Internacional de Guadalajara, houve relatos de disparos e da presença de homens armados, o que gerou pânico entre as pessoas que estavam no terminal.

Em Michoacán também foram registrados bloqueios de estradas, enquanto o terminal rodoviário de Morelia suspendeu suas atividades. Já em Guanajuato, outro estado nos arredores, houve incêndios em farmácias e lojas.

As autoridades pediram à população que permaneça em casa.

Dezenas de voos foram cancelados, com governos estrangeiros pedindo que seus cidadãos tomem cuidado se estiverem no México.

Interesse dos EUA

Oseguera era considerado o último dos chefes do narcotráfico que atuavam no molde brutal dos agora presos Joaquín “El Chapo” Guzmán e Ismael “El Mayo” Zambada.

Com seu filho, Rubén “El Menchito” Oseguera González, 35, condenado por um júri federal em Washington em setembro, especialistas alertaram que a “ausência de uma sucessão direta” poderia levar a um vácuo de poder.

“Isso abre a porta para realinhamentos violentos dentro da organização”, disse David Mora, especialista do centro de análise Crisis Group.

O México afirmou que, além de sua própria inteligência militar, a operação para capturar Oseguera foi realizada com “informações complementares” das autoridades dos Estados Unidos.

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que Washington “forneceu apoio de inteligência”. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, insistiu, no entanto, que forças dos EUA não participaram da captura.

O vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, saudou a operação e chamou Oseguera de “um dos chefes do narcotráfico mais sanguinários e implacáveis”.

Washington classifica o CJNG como organização terrorista, afirmando que o cartel envia cocaína, heroína, metanfetamina e fentanil para os Estados Unidos.

A captura de El Mencho ocorreu em meio à pressão de Trump, que ameaça impor tarifas sobre as exportações mexicanas. Ele acusa Sheinbaum de não fazer o suficiente para combater o tráfico de drogas.