Cubanos e venezuelanos mortos chegam a 55 após operação dos EUA

Incursão dos Estados Unidos que prendeu Maduro na Venezuela deixou 32 integrantes do exército venezuelano mortos e 23 vítimas das Forças Armadas cubana

Vista de um edifício de apartamentos danificado pelos ataques militares dos Estados Unidos em Catia La Mar, estado de La Guaira, Venezuela, em 4 de janeiro. Os bombardeios levaram à captura do presidente deposto Nicolás Maduro. - AFP

A quantidade de soldados cubanos e venezuelanos mortos durante a operação militar dos Estados Unidos em Caracas, que resultou na prisão de Nicolás Maduro, subiu para pelo menos 55.

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O governo de Cuba divulgou os nomes de 32 integrantes de seu Exército que morreram no ataque noturno das forças especiais de Washington, enquanto as Forças Armadas da Venezuela publicaram uma lista com 23 vítimas.

Os agentes cubanos mortos durante a ação americana na América do Sul atuavam como guarda-costas de Maduro, que, nos últimos meses, adotou uma série de medidas para reforçar sua segurança pessoal, principalmente após a escalada militar dos EUA contra o regime chavista.

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou que o país vinha oferecendo proteção a Maduro e à sua esposa, Cilia Flores, “a pedido” de Caracas. No entanto, o general americano Dan Caine garantiu que agentes de inteligência dos EUA vinham monitorando os passos do líder chavista havia meses antes da operação.

O jornal The New York Times, por sua vez, noticiou que a CIA teria recrutado uma “fonte venezuelana”, responsável por informar os militares americanos sobre a localização exata de Maduro.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, em conversa telefônica com seu homólogo cubano, Bruno Rodríguez, destacou a responsabilidade de todos os governos e da Organização das Nações Unidas (ONU) em assumir uma posição firme e explícita contra o que classificou como a “perigosa ilegalidade” das ações de Washington.

Rodríguez, por sua vez, condenou a ofensiva dos EUA e reiterou a determinação de Cuba em resistir a qualquer ameaça externa. O chanceler enfatizou ainda a necessidade de cooperação e coordenação entre países aliados para enfrentar o unilateralismo agressivo.

Em outra conversa telefônica, desta vez com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, Araghchi alertou para as “consequências perigosas da intimidação dos EUA sobre o Estado de Direito nas relações internacionais”.