Morte na casa dos outros é refresco: luto presidencial durou menos de 24 horas

Crédito: Reprodução

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No velório da mãe, que faleceu aos 94 anos, Jair Bolsonaro – o verdugo do Planalto – tão acostumado a demonstrar insensibilidade e até mesmo desprezo diante de mortes alheias, visivelmente emocionado, proferiu algumas palavras que nem de longe lembravam aquele que dizia: ‘não sou coveiro’.

O amigão do Queiroz, inclusive, disse ser ‘difícil compreender a morte’. E é mesmo! Pena que, como presidente do Brasil, jamais tenha dito o mesmo aos milhões de enlutados que perderam mães (e pais, e irmãos, e filhos, e amigos, enfim…), como ele, e que só ouviram desaforos e deboches indecentes.


‘Todo mundo morre um dia’. ‘Cedo ou tarde, quem é idoso ou tem comorbidades, vai morrer de qualquer jeito’. ‘Se morrer, morreu; paciência’. ‘Sou Messias, mas não faço milagre’. Pois é. Poderia reproduzir mais algumas frases infames e cretinas, ditas pelo bilontra, em meio à pandemia do novo coronavírus, mas já basta.

HUMANIDADE

Diante do túmulo da falecida, alguém poderia dizer ao patriarca do clã das rachadinhas: ‘e daí?’. Ou então: ‘vai ficar chorando até quando?’. Quem sabe ele até não mereceria ouvir um ‘maricas’ para deixar de ser abjeto? Mas Bolsonaro, curiosamente, mostrou ser, ainda que por um mísero instante, um ser humano.

De tudo o que falou, me chamou a atenção o que disse sobre a perda de um filho. Pelo que entendi, a mãe perdeu um – e ele, um irmão. Por óbvio, para qualquer pai e mãe que sejam dignos da paternidade, uma tragédia assim é devastadora; o fim da própria vida. Contudo, vamos a um fato não muito antigo.

Jair Bolsonaro, o marido da receptora de 90 mil reais em cheques de milicianos, certa vez declarou: ‘prefiro um filho morto a um filho gay’. Bem, se mudou de ideia, fico feliz. Se o que disse era somente expressão do mais asqueroso preconceito, também fico feliz. Ao menos jamais pensou em tamanha barbaridade.

ALEGRIA DE POBRE

Sinceramente, estou pouco me lixando para o sofrimento presidencial. Bolsonaro não me merece nada senão profundos desprezo e revolta. Guardo meus nobres sentimentos para quem deles precisa e merece. Mas solidarizo-me, sinceramente, com os demais parentes e amigos da falecida senhora. Sei bem o que estão passando.

Bastou uma noite de sono – sabe-se lá se bem ou mal dormida – para o malditoso voltar ao modo ‘psicopata homicida’. Mal acordou e lá foi o cretino mentir, usar o falecimento de uma menina de forma repugnante e demonizar as vacinas novamente. Ah! Desdenhou das mortes de crianças outra vez. Ele acha que foram poucas.

Bolsonaro é um doente mental incurável. Quem o viu chorar no velório da mãe, por um instante, como eu, imaginou que merecia alguma consideração. Tsc, tsc, tsc… A única coisa que este sujeito conhece é a maldade. Gente assim nasce cruel e morre cruel. Só cadeia ou manicômio merecem sua companhia.





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Bolsonaro luto morte

Sobre o autor

Ricardo Kertzman é blogueiro, colunista e contestador por natureza. Reza a lenda que, ao nascer, antes mesmo de chorar, reclamou do hospital, brigou com o obstetra e discutiu com a mãe. Seu temperamento impulsivo só não é maior que seu imenso bom coração.


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