Morte de jovem em piscina acende alerta sobre manuseio de cloro; conheça os cuidados

Mistura inadequada de produtos de limpeza pode liberar gases que queimam as vias aéreas em poucos minutos

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A morte prematura de Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, ocorrida no último sábado, 7 de fevereiro de 2026, transformou uma rotina de exercícios na academia C4 GYM, na zona leste de São Paulo, em um caso de polícia e um grave alerta de saúde pública. Juliana morreu após uma aula de natação, e a principal linha de investigação da Polícia Civil aponta para uma intoxicação fatal causada pela inalação de gases tóxicos gerados pela manutenção inadequada da piscina.

O cenário encontrado pelos peritos reforça a gravidade do ocorrido. Ao chegarem ao local, investigadores apreenderam um recipiente de 20 litros contendo uma mistura química desconhecida. O ambiente estava tão saturado que a perícia só pôde trabalhar com o auxílio de cilindros de oxigênio, máscaras de proteção facial completa e o apoio do Corpo de Bombeiros. Além do risco químico, a Vigilância Sanitária confirmou que o estabelecimento operava sem alvará de funcionamento, resultando na interdição imediata.

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A “regra de ouro” da química

Para estabelecimentos de uso coletivo — como academias, clubes e condomínios — o Conselho Federal de Química é categórico: é obrigatória a presença de um responsável técnico habilitado para supervisionar o tratamento da água.

Em entrevista à IstoÉ, o professor doutor Reinaldo Bazito, do Departamento de Química Fundamental da USP, explica que esse profissional é o elo de segurança que evita tragédias. “O responsável técnico não precisa necessariamente aplicar o produto todos os dias, mas ele deve treinar a equipe local, garantir o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e, principalmente, estabelecer protocolos rígidos sobre a ordem e a quantidade dos componentes”, afirma o especialista.

O erro fatal: a mistura de componentes

Um dos erros mais comuns e perigosos na manutenção de piscinas é a tentativa de “agilizar” o processo misturando produtos antes de jogá-los na água. Componentes como o hipoclorito de cálcio (cloro em pó) jamais devem ser combinados com outros ácidos ou algicidas fora da diluição recomendada.

Quando misturados inadequadamente, esses produtos sofrem uma reação química violenta que libera gases tóxicos, como o gás cloro ou cloraminas. “O produto é seguro se usado conforme a instrução. O problema é o manuseio inadequado, que transforma substâncias de limpeza em armas químicas”, pontua Bazito. Outro ponto fundamental é que o tratamento deve ocorrer apenas quando não houver banhistas na água, preferencialmente após o encerramento das atividades.

Como o organismo reage à intoxicação

O cloro inalado em grandes quantidades ou em ambientes fechados (como piscinas cobertas) reage com a umidade das mucosas, transformando-se em ácido clorídrico e ácido hipocloroso dentro do corpo. Essa reação agride severamente os pulmões e as vias aéreas superiores.

Os sintomas evoluem rapidamente e incluem:

  • Falta de ar intensa;

  • Vômitos e náuseas;

  • Queimaduras químicas no nariz, garganta e olhos;

  • Edema pulmonar (acúmulo de líquido nos pulmões), que pode levar ao óbito por asfixia química.

O “cheiro de cloro” é um aviso

Diferentemente do que dita o senso comum, uma piscina saudável não deve ter cheiro forte de cloro. O odor característico indica que o cloro já reagiu com impurezas (como suor ou urina) ou que há uma saturação de gases no ar. Se o cheiro for sentido com intensidade logo na entrada do recinto, a recomendação médica é clara: abandone o local imediatamente para uma área ventilada e procure socorro hospitalar.