Mundo

Morte de brasileiros em apartamento no Chile traz dúvidas sobre Airbnb

Morte de brasileiros em apartamento no Chile traz dúvidas sobre Airbnb

Curiosos ficam em frente ao prédio onde os turistas brasileiros morreram em Santiago, em 22 de maio de 2019 - ATON CHILE/AFP

A morte de seis turistas brasileiros intoxicados por monóxido de carbono na quarta-feira em um apartamento alugado pelo aplicativo Airbnb em Santiago, que não tinha certificado de uso de gás em dia, lança dúvidas sobre a forma de operar desta conhecida plataforma de aluguel de residências.

As vítimas, cinco catarinenses e uma goiana, estavam em Santiago para celebrar o aniversário de uma delas e eram da mesma família: um casal, de 41 e 38 anos, seus filhos, de 14 e 13, e o irmão e a cunhada da mãe dos adolescentes, de 30 e 27 anos.

O motivo da viagem ao Chile era a celebração do aniversário da menina, que faria 15 anos na sexta-feira.

Pouco antes de ocorrer a tragédia, a família foi notificada no Chile sobre a morte da avó paterna dos adolescentes vítima de um câncer, o que levou o grupo a antecipar o regresso ao Brasil.

Os turistas passavam uma semana de férias em Santiago e conseguiram alertar seus familiares quando começaram a se sentir mal. Os parentes então alertaram o consulado do Brasil em Santiago. Quando os funcionários brasileiros chegaram ao local junto com a polícia encontraram todos mortos.

– Apartamento alugado através da Airbnb –

A plataforma Airbnb confirmou que o apartamento em Santiago, no qual seis turistas brasileiros morreram intoxicados com monóxido de carbono, foi alugado por meio dela.

Em um comunicado recebido pela AFP, a plataforma lamenta o acidente e diz que está “acompanhando de perto a situação e trabalhando com urgência para dar apoio às famílias dos hóspedes neste momento tão difícil”.

No texto, a plataforma destaca que, apesar de a segurança ser prioridade, são os “anfitriões (donos, ou administradores das casas e apartamentos) que devem certificar que seguem as leis e regulações locais”.

A empresa disse ainda ter um programa que entrega detectores de fumaça e monóxido de carbono de maneira gratuita aos anfitriões que pedirem. No comunicado, destaca-se também que, em mais de 500 milhões de chegadas de viajantes por intermédio da Airbnb, “os incidentes negativos são extremamente raros”.

A companhia americana acrescentou que, se um hóspede reservar um espaço onde o anfitrião não informou se há detectores de fumaça, ou monóxido de carbono, o próprio site indica isso. Assim, insiste a Airbnb, o cliente fica a par e pode tomar as precauções necessárias.

A Superintendência de Eletricidade e Combustível (SEC) confirmou à AFP que o prédio onde aconteceu o acidente – perto do centro de Santiago – não contava com um selo verde. A certificação é concedida quando as instalações de gás estão funcionando corretamente.

A SEC abriu uma investigação para esclarecer a origem do ocorrido, centrada em três elementos em funcionamento no imóvel: aquecedor, forno e fogão a gás

A linha principal da investigação é que o acidente aconteceu devido ao mal funcionamento de um aparelho a gás, que pode ter sido o aquecedor de água, o aquecedor geral ou do gás de cozinha, explicou o chefe da SEC, Luis Ávila, à imprensa local.

Moradores do edifício – que foi evacuado por completo – afirmaram que não constataram nenhum cheiro de gás no local horas antes do acidente.

O ministério das Relações Exteriores informou através de um comunicado que acompanha a investigação das circunstâncias das mortes pelas autoridades chilenas e os trâmites necessários para o traslado dos corpos.