“Seguranças se entregam por morte de ciclista em Copacabana”

Crime bárbaro durou nove minutos e teve participação de entregadores; polícia procura outros dois envolvidos

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Foto: Imagem ilustrativa

Dois seguranças de rua se entregaram à polícia nesta quinta-feira (20) após espancarem até a morte o ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, em Copacabana, Rio de Janeiro. O crime brutal, que durou nove minutos e envolveu mais de 30 golpes de porrete na cabeça, ocorreu após a falsa suspeita de furto da bicicleta da vítima.

O espancamento, que também contou com a participação de dois entregadores de venda delivery, resultou em traumatismo craniano e hemorragia interna, levando à morte de Cláudio Rafael. A polícia agora concentra esforços na busca pelos dois entregadores foragidos.

Seguranças se entregam após a morte de ciclista Cláudio Rafael em Copacabana.

  • Vítima foi espancada por nove minutos, sofrendo mais de 30 golpes de porrete, chutes no tórax e barriga.
  • Dois entregadores de delivery também envolvidos no crime são procurados pela Polícia Civil.

Cláudio Rafael Landeiro Moreira havia saído de sua casa na noite do dia 11 deste mês, pedalando de Botafogo até a Rua Belford Roxo, em Copacabana, na zona sul da cidade. Ele utilizava a bicicleta de sua irmã, como fazia habitualmente.

Em Copacabana, sem qualquer prova ou evidência, os dois seguranças de rua iniciaram uma abordagem violenta à vítima. Um deles, Davi Santos Machado, empunhando um porrete, começou o interrogatório, questionando Cláudio Rafael sobre a posse da bicicleta.

Abordagem e linchamento

Devido a um transtorno psicológico, Cláudio Rafael respondeu de forma incompleta, afirmando que a bicicleta não era sua, mas de sua irmã. Nesse momento, o outro segurança, Jorge Luiz Ricardo Dias, tomou a bicicleta da vítima.

Ao tentar reaver a bicicleta, Cláudio Rafael foi agredido pela primeira vez por Davi Santos Machado. Ferido, o ciclista se deslocou até a Rua Felipe de Oliveira, onde se sentou na escadaria de um prédio.

Foi nesse local que a sessão de tortura e espancamento se intensificou. Davi Santos Machado continuou a golpear Cláudio com o bastão. Ao tentar fugir, a vítima foi derrubada pelos entregadores, que se juntaram ao linchamento. A agressão durou nove minutos, deixando Cláudio Rafael inconsciente.

Vítima morre no hospital

Antes de deixar o local, Davi Santos Machado fotografou Cláudio inconsciente com um celular. Um dos entregadores ainda revistou os bolsos do rapaz. Cerca de 30 minutos após o ocorrido, equipes do Corpo de Bombeiros chegaram ao local.

A vítima foi socorrida e encaminhada para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea. Contudo, Cláudio Rafael não resistiu aos graves ferimentos, vindo a óbito na madrugada do dia 12. O laudo médico confirmou que a causa da morte foi traumatismo craniano e hemorragia interna.

Investigação em andamento

De acordo com o delegado titular da 12ª DP (Copacabana), Ângelo Lages, os quatro suspeitos de participação nas agressões responderão por homicídio triplamente qualificado, motivado por torpeza, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro continua as buscas pelos dois homens que, utilizando mochilas de entregadores, não se apresentaram para prestar depoimento e permanecem foragidos.