A Polícia Civil do Rio de Janeiro indiciou 13 pessoas pelo caso da morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos. Ele foi espancado ao ser confundido com um ladrão de bicicleta em Copacabana, área turística da capital fluminense. Cinco dos indiciados responderão por homicídio triplamente qualificado.
Dentre os 13 envolvidos, quatro já estão presos, e um permanece foragido. O grupo inclui seguranças que atuavam de forma clandestina, entregadores de aplicativo e empresários locais.
- Treze pessoas foram indiciadas pela morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, espancado ao ser confundido com ladrão no Rio de Janeiro.
- Cinco dos envolvidos responderão por homicídio triplamente qualificado, entre eles seguranças, entregadores e um foragido.
- A investigação da Polícia Civil revelou um esquema de segurança clandestina financiado por comerciantes da região.
O inquérito foi concluído nesta segunda-feira (7) pelo delegado Angelo José Lages Machado, titular da 12ª Delegacia de Polícia (DP), em Copacabana, e encaminhado ao Ministério Público.
De acordo com as apurações, Cláudio foi “espancado covardemente” na madrugada de 11 para 12 de agosto. A investigação aponta que a vítima foi acusada de furtar uma bicicleta que, na verdade, pertencia à irmã dele. Cláudio Rafael tinha problemas psiquiátricos e não conseguiu se defender da acusação dos agressores.
Como a polícia desvendou o caso?
O delegado afirma que não houve “a mínima demonstração” de que Cláudio tivesse efetivamente furtado a bicicleta.
“Em vez de acionarem a autoridade pública, os envolvidos optaram por julgar e submeter Cláudio a sentença de sucessivas agressões, que causaram a morte”, aponta o inquérito.
Por meio de imagens de câmeras de segurança, a polícia concluiu que a vítima foi cercada por seguranças que atuavam na região e sofreu agressões durante cerca de nove minutos.
“Ele levou socos, chutes e dezenas de golpes com um objeto de madeira”, detalha a polícia. O inquérito relata que Cláudio “ficou agonizando no chão por mais de 30 minutos”, antes de ser socorrido. Ele sofreu traumatismo cranioencefálico, hemorragia interna e rompimento de órgãos.
Quem são os indiciados por homicídio?
A Justiça determinou a prisão de cinco pessoas, todas indiciadas por homicídio triplamente qualificado (motivo fútil, emprego de meio cruel e recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima):
- Davi dos Santos Machado – segurança de rua
- Jorge Luiz Ricardo Dias – segurança de rua
- Felipe Eduardo dos Santos Dias – entregador de aplicativo
- Ailton José da Silva – entregador de aplicativo
- Wellington Luiz Santos de Souza – homem que chutou a cabeça da vítima, indefesa, ao fim das agressões.
Os seguranças e os entregadores citados estão presos. Wellington Luiz Santos de Souza, por sua vez, segue foragido. De acordo com a investigação, o próprio Davi, um dos agressores, classificou as agressões como “ato insano”.
Segurança clandestina e omissão de socorro
A polícia afirma que os depoimentos dos envolvidos “demonstram a existência de um sistema de financiamento privado da atividade informal de segurança”.
“Os pagamentos não eram realizados mediante contrato formal ou relação trabalhista regularmente constituída. Ao contrário, eram efetuados de maneira informal, predominantemente em espécie e sem recibos”, descreve o inquérito.
Quatro pessoas foram indiciadas por exercício irregular da atividade de segurança e vigilância de rua. Quatro comerciantes também foram indiciados pelo financiamento da atividade informal mediante pagamentos periódicos.
Uma mulher que entregou o bastão de madeira usado por um dos agressores foi indiciada por lesão corporal. Um homem foi indiciado por omissão de socorro, pois viu as agressões, mas não acionou a polícia nem bombeiros.
“Não se atribui a obrigação de enfrentar fisicamente os agressores. O dever juridicamente relevante consistia, ao menos, em buscar auxílio por intermédio dos serviços públicos de emergência”, cita o inquérito.
Da IstoÉ com Agência Brasil
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