Comportamento

Morre Sultão de Omã, o dirigente árabe que mais tempo esteve no poder

Morre Sultão de Omã, o dirigente árabe que mais tempo esteve no poder

Sultão de Omã, Qabus, durante reunião do gabinete no Palácio Real em Mascate, em 1º de novembro de 2015. - AFP/Arquivos

O sultão Qabus ibn Said Al Said morreu na noite de sexta-feira, aos 79 anos, depois de reinar por meio século neste pequeno país estável e neutro na problemática região do Golfo, e um de seus primos, Haitham bin Tarek, assumiu seu lugar neste sábado.

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Qabus, que chegou ao poder em 1970 em um golpe contra o pai, sofria há muito tempo de uma doença.

“Com tristeza a corte do sultanato está de luto. Nosso sultão Qabus bin Said foi chamado por Deus nesta sexta-feira”, informou um comunicado do gabinete real.

Este ano Qabus cumpriria meio século no trono de Omã, e era o monarca árabe a mais tempo no poder.

Em 2019, o sultão foi hospitalizado várias vezes na Alemanha.

Fontes diplomáticas em Mascate indicaram que o Sultão sofria de câncer de cólon.

Haitham bin Tarek, Ministro da Herança e Cultura e primo do sultão Qabus, foi nomeado para sucedê-lo.

“Haitham bin Tarek prestou juramento como novo soberano depois de uma reunião da família real, que aprovou a eleição”.

A escolha do sucessor feita pelo falecido sultão, disse o governo no Twitter.

O sultão não se casara, não tinha filhos ou irmãos que pudessem sucedê-lo.

Um comentarista da televisão pública de Omã disse que a família real decidiu abrir uma carta na qual o sultão Qabus havia indicado seu sucessor.

Segundo a constituição de Omã, a família real deveria determinar o sucessor do trono em três dias.

Haitham bin Tarek, 65 anos, ocupou o cargo de Subsecretário de Relações Exteriores para assuntos políticos, antes de se tornar Ministro do Patrimônio e Cultura em meados dos anos 90.

Um grande entusiasta do esporte, Haitham bin Tarek também foi o primeiro líder da Federação de Futebol de Omã no início dos anos 80.

– Negociador hábil –

Nascido em 1940, Qabus chegou ao poder em 1970, quando liderou um golpe de Estado para derrubar seu próprio pai, o sultão ultraconservador Said bin Taimur, e tentou transformar o sultanato, que até então estava completamente fechado ao mundo e sujeito a um rígido controle religioso.

O país ainda hoje é o país mais pobre da península arábica, mas começa a exportar petróleo.

Oitavo soberano da dinastia Al-Said, Qabus mudou o antigo nome de “Omã e Mascate” para “Sultanato de Omã”, em uma tentativa de superar a antiga divisão do país.

Na liderança de um país vizinho da Arábia Saudita e separado do Irã pelo Golfo Pérsico, Qabus se esforçou em promover uma diplomacia aberta, mantendo relações cordiais com os dois, além de receber visitas de dois líderes de Israel, Yitzhak Rabin, em 1994, e Benjamin Netanyahu, 2018.

Com habilidade, Qabus tornou Omã uma rara monarquia petroleira com diálogo fluido tanto com países ocidentais como com o Irã, e era considerado um interlocutor para obter a libertação de prisioneiros no conflito do também vizinho Iêmen.

Qabus também facilitou os diálogos sobre o acordo envolvendo o programa nuclear do Irã, e ao mesmo tempo manteve sua posição no Conselho de Cooperação do Golfo, de forte influência saudita.

O Sultão acumulava os cargos de chefe de governo, ministro das Relações Exteriores, Defesa e Finanças, e em 2003 formou um conselho consultivo a partir de eleições por sufrágio universal, com a participação das mulheres.

Após o anúncio de sua morte, o ex-presidente americano George W. Bush prestou homenagem ao sultão, “uma força estável no Oriente Médio e um importante aliado dos Estados Unidos”.

“Sua majestade tinha a visão de um Omã moderno, próspero e pacífico, e tornou essa visão uma realidade”, continuou ele.

O príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Mohamed bin Zayed al Nahyan, disse em comunicado que Omã e os países árabes perderam “um líder sábio e uma figura de grande estatura histórica”.

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