O ator e dramaturgo Juca de Oliveira, que morreu neste sábado, 21, aos 91 anos, construiu uma trajetória profundamente ligada ao teatro brasileiro, especialmente ao Teatro de Arena, onde ajudou a marcar uma geração e a consolidar um novo olhar sobre a dramaturgia nacional.
Foi nos palcos, e não na televisão, que Juca encontrou sua essência artística. Após abandonar o curso de Direito na Universidade de São Paulo, ele decidiu se dedicar integralmente à atuação e ingressou na Escola de Arte Dramática de São Paulo, dando início a uma carreira que atravessaria décadas.
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Na década de 1960, sua atuação no Teatro de Arena o colocou no centro de um movimento que buscava aproximar o teatro da realidade social e política do país. Ao lado de nomes como Gianfrancesco Guarnieri, Augusto Boal e Paulo José, participou de uma fase decisiva da cultura brasileira, marcada pelo engajamento artístico e pela resistência durante a ditadura militar.
Perseguido pelo regime, o ator chegou a se exilar na Bolívia, experiência que reforçou seu compromisso com um teatro crítico e socialmente consciente. Ao longo da carreira, essa marca se manteve presente tanto em suas atuações quanto em seus textos.
Foram mais de 60 peças teatrais, muitas delas também assinadas por ele como autor, em obras como “Meno Male”, “Hotel Paradiso”, “Caixa Dois” e “Às Favas com os Escrúpulos”. Mesmo com o reconhecimento na televisão, Juca nunca se afastou dos palcos, mantendo o teatro como centro de sua vida artística.
Na TV, também construiu personagens marcantes, como em “O Clone” e “Saramandaia”, mas foi no teatro que deixou sua contribuição mais profunda para a cultura brasileira.
Internado desde o dia 13 de março no Hospital Sírio-Libanês, em decorrência de uma pneumonia associada a complicações cardíacas, o ator morreu poucos dias após completar 91 anos. A família agradeceu as manifestações de carinho e solidariedade.