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Morre aos 95 anos a vice-presidente das Mães da Praça de Maio na Argentina

Morre aos 95 anos a vice-presidente das Mães da Praça de Maio na Argentina

Nesta foto de 29 de novembro de 2019, a vice-presidente das Mães da Praça de Maio, Mercedes 'Porota' Meroño (C), participa de marcha da Resistência em Buenos Aires, Argentina - AFP


Mercedes ‘Porota’ Colás de Meroño, vice-presidenta da associação Mães da Praça de Maio, que durante décadas denunciou os desaparecimentos de opositores durante a ditadura argentina, morreu nesta quarta-feira (21) aos 95 anos, em sua casa em Buenos Aires, informou a organização humanitária.

Sua única filha, Alicia Meroño, foi sequestrada em uma casa em Buenos Aires em 5 de janeiro de 1978 por agentes da ditadura (1976-1983). Ela 31 anos e está desaparecida desde então.

“Foi embora devagarinho. Todos os dias morria um pouco” desde que sofreu uma fratura no quadril há vários anos, escreveu a titular das Mães da Praça de Maio, Hebe de Bonafini, em carta aberta, intitulada “Porota mudou de casa”.

“Ela era uma das Mães que havia passado duas vezes pela tortura e pelo horror”, contou Bonafini sobre a companheira de anos de luta.

“Esteve na Guerra Civil espanhola, onde seu pai foi fuzilado por ser antifranquista e revolucionário. Ali, além disso, rasparam os cabelos para que todo o povoado soubesse que seu pai tinha sido fuzilado”, lembrou a carta.

Mercedes Colás nasceu na Argentina em 1925, mas emigrou para a Espanha em 1931 com sua família. Seu pai, José María Colás, um pedreiro e anarquista, foi fuzilado em Londoño, povoado de Navarra onde viviam quando ela tinha 11 anos.

Depois, voltou para a Argentina com sua mãe e seu irmão e aos 14 anos conheceu Francisco Meroño, um trabalhador têxtil com quem se casaria e teria uma filha, Alicia.

“E ali esteve ela, com os dois horrores e terrores que nunca a deixaram. Sempre que falava lembrava deles. Outra companheira que se vai e nos deixa um enorme vazio, mas a vida continua (…) Sabemos o compromisso que temos com nossos filhos e que devemos prosseguir”, acrescentou Bonafini, de 92 anos.

Colás de Meroño aderiu em 1978 à organização humanitária surgida em plena ditadura, quando um grupo de mulheres começou a reivindicar o aparecimento com vida de seus filhos, sequestrados e levados a centros clandestinos de detenção, onde eram torturados e assassinados. Cerca de 30.000 pessoas foram desaparecidas.

Suas companheiras lembram dela sempre forte e desafiadora. “Me lembro de Porota jogando-se sobre o capô de uma patrulha (policial) para que não nos detivessem”, lembrou dela nas redes sociais uma ativista que a conheceu.

Como vice-presidente da organização humanitária, Colás de Meroño participou de várias reuniões com líderes mundiais, como Fidel Castro, Yasser Arafat, o subcomandante Marcos na floresta de Chiapas, e os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Evo Morales, Rafael Correa e Hugo Chávez, entre outros.

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